A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/09/2020

Durante o período de grande industrialização brasileira, no século XX, a mobilidade urbana ainda era algo que não afetava a população de forma direta. Com o governo de Getúlio Vargas, o processo de substituição de importações trouxe inúmeros produtos de outros países a preços mais baixos para o povo, entre eles o carro. No contexto atual, este axioma tornou-se um agravante na vida dos trabalhadores, os quais têm de enfrentar o trânsito todos os dias ao lado de muitos outros veículos para chegar em seus destinos, e não podem contar com a disponibilidade dos transportes públicos, que cobram preços altos e não garantem o conforto de seu passageiro. Dessa forma, a vinda de importações baratas para dentro da terra verde e amarela e a falta de infraestrutura dos meios de locomoção públicos contribuiu para o desenvolvimento da dificuldade de movimentação entre as áreas urbanas.

Em primeiro lugar, é indubitável que a democratização do acesso ao transporte individual está entre as causas do problema. A canção “Rua da Passagem” da cantora Elba Ramalho problematiza o comportamento dos cidadãos no trânsito, que saem com seus carros novos e se irritam com a lentidão da locomoção. De maneira análoga, é possível perceber que no Brasil, esta acessibilidade ainda é presente no cenário atual, haja vista que o governo oferece benefícios na compra de um carro. Portanto, o número de veículos aumenta no asfalto e consequente mente o trânsito também.

Outrossim, destaca-se o alto preço cobrado pelas passagens de ônibus na terra tupiniquim. O longa-metragem “Velocidade Máxima” mostra em suas cenas inciais um passageiro que reclama do valor exigido pelo motorista, mas por necessidades maiores, paga o ingresso e entra no veículo. De forma semelhante, é compreensível que na nação brasileira, esta realidade ainda afeta grande parte da população, uma vez que as autoridades cobram uma alta quantia de impostos dos cidadãos, ao aumentar o custo de utilização de serviços públicos para arrecadar mais capitais. Diante disso, o uso do transporte público diminui, e então, o governo para de conceder cuidados a frota destes transportes.

Em suma, cabe ao Poder Público realizar votações no Congresso Nacional para a criação de leis que garantam o oferecimento de infraestrutura aos transportes públicos de todas as cidades no Brasil, com avaliações da qualidade de pintura, assentos e engrenagens por especialistas em todas as frotas, a fim de originar espaços confortáveis a seus usuários. A partir disso, faz-se também necessária a criação de mecanismos que dificultem o acesso da população aos veículos individuais, com o objetivo de impulsionar o uso do meio de locomoção coletivo por estes.