A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/09/2020
Com o advento e a intensificação do processo de urbanização, ao longo do século XX, o Brasil presenciou um acelerado desenvolvimento e crescimento das cidades. No que tange a isso, é indubitável que ocorreu um acréscimo na circulação de pessoas nos mais variados modais de transporte, ocasionando problemas de locomoção nos grandes centros urbanos. Nesse contexto, não só a herança histórica política rodoviarista, mas também a baixa qualidade dos transportes públicos são fatores que corroboram o imbróglio da mobilidade urbana no país.
A priori, destaca-se a política rodoviarista presente na herança histórica do país. No tocante a isso, cabe salientar que, nas últimas décadas, o Brasil vivenciou uma fase de estímulos sem precedentes à indústria automobilística, marcada por inúmeros investimentos e financiamentos. Diante disso, a política rodoviarista arraigada na história da nação gera o acúmulo de aplicações de capital nesse modal de transporte, em que a locomoção individual é anteposta e priorizada em detrimento do coletivo. Ademais, é relevante destacar que a concentração em um meio de locomoção exclusivo gera a ampliação do número de veículos nas vias públicas, legitimando - pois - a crise na mobilidade urbana.
Outrossim, é importante sublinhar a baixa qualidade do sistema de transporte público. De fato, o número de veículos registrou um crescimento de, aproximadamente, 140%, em conformidade com dados do Observatório das Metrópoles. Nesse contexto, evidencia-se que grande parte da população recorre aos meios de transportes individuais, devido a ineficácia do sistema de transporte público. No que concerne a isso, faz-se necessário realçar a baixa qualidade dos meios de locomoção públicos, que - inúmeras vezes - apresentam condições precárias, além de tarifas elevadas para o seu uso. Assim, como a maioria da população opta por locomover-se individualmente, notabiliza-se a incrementação da quantia de veículos, testificando a problemática da mobilidade urbana.
Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de resolver a frequente crise da mobilidade urbana no Brasil. Posto isso, urge que o Governo Federal, em ação conjunta com os governadores, elabore um projeto de integração dos distintos modais de transporte urbano, bem como o investimento em alternativas de locomoção, como o desenvolvimento de programas de compartilhamento de bicicletas e scooters, com o fito de viabilizar maior fluidez do trânsito. Além disso, é de suma importância o aumento de investimentos no sistema de transporte público, por meio do estabelecimento de políticas públicas alinhadas com o desenvolvimento ambiental. Levando-se em consideração os aspectos supracitados, convém enaltecer que a intervenção acima proposta é de grande importância para atenuar e reprimir o imbróglio da mobilidade urbana no Brasil.