A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/09/2020

Segundo o artista mineiro, popularmente conhecido como Cartunista EDRA: “Vai chegar um momento em que todos terão carro e não terão como andar”. De maneira análoga, tal frase retrata uma preocupação realista sobre um problema cada vez mais crescente no Brasil e no mundo: a crise da mobilidade urbana – que causa desde a superlotação das vias de tráfego nas grandes cidades até problemas de saúde e questões ambientais. Esse impasse ocorre devido à busca desenfreada pela posse de automóveis pessoais, além da ineficácia das políticas públicas vigentes no sistema viário.

A priori, destaca-se que ao buscar o benefício individual, muitas pessoas optam pela compra de carros, desconsiderando os riscos de grandes contingentes desse meio de transporte na sociedade e no meio ambiente. A respeito disso, uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no ano de 2016 observou que, no Brasil, a frota de automóveis cresceu 400% nos últimos dez anos. Destarte, é inegável  o crescente número de veículos automotivos próprios que contribui para o aumento e a perpetuação do caos no sistema urbano de trânsito brasileiro.

Outrossim, a superlotação de transportes públicos alternativos – ocasionado pelo número insuficiente de ônibus coletivos nas metrópoles – somada à limitação da extensão das ciclovias, findam por estimular a aquisição de veículos particulares. Sobre isso, analogamente à lei da inércia Newtoniana, um corpo social tende a permanecer como está, a não ser que uma força governamental seja exercida sobre o mesmo. Desse modo, evidencia-se a urgência de ações públicas mais resolutivas, visto a preocupante realidade do sistema viário brasileiro.

Infere-se, portanto, que a crise na mobilidade urbana é uma questão pública que deve ser discutida e combatida. Logo, cabe ao Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) promover ações que visem atenuar o problema. Isso poderia ser feito por meio da liberação de verbas públicas para a construção e/ou ampliação de ciclovias, além do aumento da frota de ônibus coletivos nas grandes cidades, visando estimular o uso de alternativas de tráfego mais sustentáveis. Dessa forma, garante-se que a preocupação do Cartunista EDRA não será refletida nas gerações futuras.