A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/09/2020

A partir de 2014, a prefeitura de Paris, por intermédio da proibição da circulação de carros nas regiões centrais da capital, passou a adotar medidas drásticas para reduzir a quantidade de veículos nas ruas. Essas ações, além de diminuírem a emissão de gases poluentes na atmosfera, contribuem para a melhora do fluxo local. Enquanto isso, no Brasil, habitantes de cidades metropolitanas, bem como São Paulo e Campinas, enfrentam diariamente a crise da mobilidade urbana, que, segundo o jornal “Correio Popular”, cresce a cada ano. Dessa forma, é importante analisar que isso ocorre em virtude da escassez de investimento público na infraestrutura de transportes coletivos e, assim, posterga os direitos essenciais dos cidadãos.

Em primeiro lugar, ressalta-se o papel do governo na mobilidade urbana brasileira. Nesse contexto, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), estima-se que menos de 70% da população utiliza transportes públicos. Isso posto, a baixa infraestrutura, bem como condições precárias de higiene, é um entrave para o uso cotidiano de ônibus, trens e metrôs no Brasil. Como prova disso, consoante uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), mais de 80% dos brasileiros utilizariam esses meios de deslocamento, caso houvesse melhores condições de uso. Isso posto, destaca-se a importância do investimento público para a circulação nas metrópoles do país.

Além disso, salienta-se que essa situação das cidades brasileiras se trata de uma transgressão aos direitos de sua população. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 assegura que é dever do Estado garantir a todos os cidadãos a liberdade de ir e vir. No entanto, esse direito está ameaçado nas áreas urbanas do país, haja vista que, consoante a prefeitura de Campinas, o fluxo da cidade está prestes a travar, devido à grande quantidade de veículos que trafegam pelas suas ruas no dia a dia. Sob essa perspectiva, o governo brasileiro falha na sua incumbência de abonar os direitos básicos do povo. À vista disso, explicita-se a necessidade de reverter esse cenário.

Em síntese, o desequilíbrio no trânsito nas cidades brasileiras se dá em razão da escassa infraestrutura de transportes públicos, situação essa que distancia os cidadãos de seu direito de ir e vir. Logo, cabe ao Ministério da Infraestrutura, por meio de aplicação financeira, garantir aos transportes públicos melhores condições de uso, bem como uma higienização adequada, a fim de melhorar a sua qualidade. Ademais, ele deve, mediante veículos comunicativos de amplo alcance, a exemplo da televisão e as redes sociais, promover anúncios que incentivem a população a utilizar formas alternativas de locomoção, bem como transportes coletivos, bicicletas e caminhada. Dessarte, com essas medidas, espera-se combater a crise da mobilidade urbana que persiste no Brasil.