A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/09/2020

O filósofo francês Foucault já alegava que a sociedade vivencia constantes negativas. Assim, na contemporaneidade tais negativas caracterizam-se pela crescente crise da mobilidade urbana brasileira. Diante disso, torna-se passível de discussão não só a precária infraestrutura dos transportes públicos e a ausência de ciclovias em grandes metrópoles, mas também o aumento no numero de automóveis nas ruas do Brasil.

Em primeira análise, vale destacar que a má infraestrutura dos transportes coletivos brasileiros dificulta a mobilidade urbana. Nesse sentido, Bauman, sociólogo polonês, tentaria explicar essa realidade ao afirmar a fluidez nas interações sociais, politicas e econômicas, o que identifica a modernidade liquida, conceito defendido por pelo pensador a respeito da sociedade moderna. Dessa forma, o descaso governamental com a infraestruturas dos transportes públicos e o baixo investimento em ciclovias, principalmente em grandes centros urbanos evidencia a liquidez na relação Estado-cidadão. Nesse enlace, esses meios de descolamento que seriam boas soluções para minimizar a crise da mobilidade urbana atual encontram-se em estado precário.

Por conseguinte, devido as más condições dos transportes oferecidos pelo Estado a preferência por veículos individuais aumenta. Nessa lógica, segundo a Associação Nacional dos Detrans no Brasil já tem um carro a cada quatro habitantes, assim, demonstra a imensa frota de veículos em circulação. Desse modo, as cidades brasileiras ainda não estão preparadas para gerenciar essa gigantesca crescente de automóveis em suas ruas e avenidas, o que gera grandes engarrafamentos e complica a mobilidade urbana. Aliás, o filosofo Nietzsche salientava que o ser humano é algo a ser superado, sem dúvidas, os governantes devem se superarem por postergarem um problema urbano de infraestrutura nos transportes e concomitantemente promoverem outro caos a sociedade; a crise da mobilidade.

Por fim, é mister que o Estado tome providencias para amenizar o quadro atual. Portanto, para que mobilidade urbana não seja mais um impasse à sociedade, urge que o Ministério da Infraestrutura proporcione, por meio de verbas governamentais, investimentos nos transportes públicos brasileiros oferecendo qualidade e segurança aos cidadãos. Ademias, cabe ao Ministério de Desenvolvimento Regional promover ciclovias em cidades com grande circulação de veículos. Somente assim, será possível combater a crise da mobilidade urbana brasileira, negativa social que afeta milhões de pessoas.