A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/09/2020

O conto distópico “A Autoestrada do Sul”,de Julio Cortázar,retrata um imenso e inexplicável congestionamento que durou muitos anos.Fora da ficção,é fato que a realidade apresentada por Cortázar pode ser relacionada à esfera brasileira do século XXI:a mobilidade urbana deficitária como entrave à qualidade de vida.Essa conjuntura desafiadora se deve a empecilhos sociais e governamentais,os quais incitam uma conduta mais empenhada da sociedade civil e do poder público.

Nesse sentido,convém analisar o conceito de “Behaviorismo Clássico”,promulgado por John B.Watson.Segundo o psicólogo,é preciso apenas um estímulo no complexo cerebral de um indivíduo para que seja capaz de alterar seu comportamento.Sob essa óptica,muitas lições coerentes sobre mecanismos para aprimorar a mobilidade urbana não são devidamente fomentadas pelas instituições formadoras de opinião,como o entendimento de que são preferíveis transportes alternativos,por exemplo,bicicletas e ônibus.Efetivamente,essa práxis poderia melhorar o bem-estar cotidiano do contingente populacional brasileiro,pois tende a diminuir a valorização dos automóveis particulares,que contribuem com a emissão de gases tóxicos e a poluição sonora.Logo,são improteláveis medidas pedagógicas,o que corrobora o correto incentivo cognitivo trabalhado por Watson.

Outrossim ,embora instrumentos jurídicos recentes-à guisa de ilustração,a Constituição Federal de 1988 e a Política Nacional de Mobilidade Urbana(PNMU)-garantam o planejamento e a execução de melhorias na locomobilidade,tal premissa não possui o êxito desejado.Essa ineficiência encontra justificativa no déficit de repasse dos recursos financeiros.Prova desse panorama displicente são dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos,os quais apontam que o orçamento destinado à PNMU foi quatro vezes abaixo do previsto.Essa situação adversa urge maior engajamento do setor público no enfrentamento desse problema,visto que dispõe de um papel basilar diante da comunidade e,em decorrência disso,deve assegurar uma boa qualidade de vida a todos.

Portanto,faz-se premente que escolas e universidades promovam atividades didáticas-mediante palestras ministradas por especialistas,por exemplo,médicos,os quais podem contribuir com seus conhecimentos sobre os benefícios do uso de transportes alternativos-no intuito de consolidar precocemente um viés coletivo de preocupação com as melhorias na mobilidade urbana.Ademais,cabe ao Governo Federal-como responsável pelas contas da União-refazer as prioridades orçamentárias,por meio da destinação de mais verbas para efetivar a PNMU em estados e municípios,a fim de garantir o  bem-estar geral dos brasileiros.Assim,o Brasil mitigará a problemática e se afastará dos males expostos no conto de Julio Cortázar.