A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/09/2020

Baixa qualidade no transporte público. Crescimento desenfreado das cidades. Essas são algumas das características que descrevem bem o panorama da crescente crise na mobilidade urbana. Em um mundo extremamente tecnológico e globalizado, ter um sistema de transporte bem elaborado é um fator crucial para melhorar a qualidade de vida da população.

Primeiramente, é imprescindível destacar que a Constituição de 1988, em seu conjunto de leis, garante a todos os cidadãos o direito ao transporte. Todavia, tal construção demonstra-se ineficaz na prática, na qual é evidente que apenas o transporte público não suporta toda a demanda populacional, apresentando defasagens, como o excesso de passageiros e o elevado preço da passagem, necessitando, assim, da iniciativa privada. Entretanto, devido ao elevado custo de implementação de um sistema de transporte, juntamente com uma alta carga tributária, dificultam a entrada de empresas privadas no setor. Por conseguinte, ocorre o aumento no uso do carro próprio, propiciando a ocorrência de engarrafamentos em grande cidades.

Outrossim, segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais”. A partir desse pressuposto, é sabido que com o acentuado desenvolvimento industrial no governo de Juscelino Kubitschek, houve um grande aumento na oferta de serviço, atraindo, então, a imigração de uma elevada massa populacional para as cidades. Por consequência, a construção de casas sem planejamento prévio tornou-se um empecilho para a expansão das vias de circulação de veículos, facilitando ocorrer  congestionamentos.

Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Estado, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizar uma pesquisa de campo através de um questionário disponibilizado para indivíduos que utilizam o transporte público, a partir disso, identificar as principais defasagens desse sistema, buscando, fornecer recursos financeiros para aprimorar esses problemas, com o objetivo de reduzir os congestionamentos no Brasil. Ademais, cabe ao Ministério da Economia, por meio de políticas públicas, facilitar a participação de empresas privadas no setor de transporte, por meio da redução da elevada carga tributária, com o intuito de aprimorar a qualidade de vida nas cidades. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que usufruirá dos direitos garantidos na Constituição de 1988.