A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/09/2020
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna, a qual estabeleceu o direito de ir e vir à sociedade brasileira. Todavia, o propósito de Guimarães ainda não foi cumprido, visto que, a crise da mobilidade urbana é crescente no Brasil. Tal problemática é causada pelo ineficaz planejamento urbano e prejudica a saúde mental dos indivíduos.
A princípio, a mobilidade urbana é dificultada pelo mal planejamento urbano. Nessa perspectiva, no século XX, o governo de Getúlio Vargas incentivou a saída do campo para a cidade. No entanto, tal ação foi estimulada sem preparação do espaço urbano para abrigar grandes contingentes de indivíduos. Esse fato provocou com que o transporte coletivo tenha que funcionar, frequentemente, em regime de superlotação. Isso porque, não há quantidade suficiente de veículos públicos para locomover a população, o que impossibilita a garantia do direito de ir e vir aos brasileiros. Desse modo, enquanto houver graves falhas de planejamento urbano, a sociedade tupiniquim continuará a sofrer com a difícil locomobilidade.
Além disso, a crise na locomoção nas cidades intensifica o estresse nos indivíduos. Nessa perspectiva, o filósofo, Zygmunt Bauman afirma que a sociedade vive na modernidade líquida, em que as pessoas, continuamente, buscam ter mais tempo. Nesse sentido, os congestionamentos,consequência do colapso da mobilidade urbana, ocasiona aumento do período de tempo em uma deslocação. Sob essa ótica, essa conjuntura intensifica o estresse ao diminuir o tempo do indivíduo, em uma sociedade que exige mais tempo. Tal ocorrência é exemplificada pelos quadros frequentes de violência verbal e física no trânsito. Dessa forma, ao passo que a crise da mobilidade urbana crescer, mais a saúde mental da população brasileira será afetada.
Fica evidente, portanto, que a mobilidade urbana é causada por falhas de planejamento urbano e dificulta a manutenção da saúde mental dos brasileiros. Dessa maneira, o Poder Executivo deve elaborar ações para aumentar o transportes coletivos e ampliar alternativas de locomoção, com incremento da frota rodoviária, construções de metrôs e ciclovias. Tal ação deve ser realizada por meio da Secretária de infraestrutura e tem por finalidade dar suporte necessário para que as cidades atendam as necessidades dos indivíduos e mitiguem os congestionamentos e, logo, não acentue o estresse na população. Assim, com tais atos, o desejo de Guimarães será, enfim, cumprido.