A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/09/2020
Baixa qualidade no transporte público. Crescimento desenfreado das cidades. Essas são algumas das características que descrevem bem o panorama da crise na mobilidade urbana brasileira. Em um mundo extremamente tecnológico e globalizado, desenvolver um sistema de transporte eficiente é um fator crucial para melhorar a qualidade de vida da população.
Primeiramente, é imprescindível destacar que a Constituição de 1988, em seu conjunto de leis, garante a todos os cidadãos o direito ao transporte. Todavia, tal construção teórica demonstra-se ineficaz na prática, na qual observa-se que apenas o transporte público não suporta toda a demanda populacional, apresentando defasagens, como o excesso de passageiros e o elevado preço das passagens, necessitando, assim, da iniciativa privada para aumentar a demanda de ônibus e, consequentemente, reduzir a quantidade de pessoas por veículo. Entretanto, devido ao elevado custo de implementação de um sistema de transporte, juntamente com uma alta carga tributária são fatores limitantes para a entrada de empresas privadas no setor.
Outrossim, segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais”. A partir desse pressuposto, é sabido que com o acentuado desenvolvimento industrial no governo de Juscelino Kubitschek, houve um grande aumento na oferta de serviços, atraindo, então, um elevado fluxo migratório para as cidades. Por consequência, a construção exacerbada de casas sem planejamento prévio tornou-se um empecilho para a expansão das vias de circulação de veículos, já que tal fator reduziu o número de áreas desocupadas para construir novas ruas para tráfego de carros.
Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Estado, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, promover um pesquisa de campo através de um questionário disponibilizado para indivíduos que utilizam o transporte público. A partir disso, identificar as principais defasagens desse sistema, buscando, fornecer recursos financeiros para aprimorar esses problemas, tendo como objetivo reduzir os congestionamentos no Brasil. Ademais, cabe ao Ministério da Economia, por meio de políticas públicas, facilitar a participação de empresas privadas no setor de transporte, por meio da redução da elevada carga tributária, com o intuito de aprimorar a qualidade de vida nas cidades. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que irá usufruir dos direitos garantidos na Constituição de 1988.