A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 27/10/2020

No ano de 1960, no Brasil, ocorreu o êxodo rural, evento histórico corresponde ao processo de migração em massa da população do campo para as cidades. Devido a isso, a urbanização das grandes cidades se deu de maneira desorganizada, adensando grande parte da população urbana nas periferias, longe das indústrias e equipamentos sociais. Logo, as grandes metrópoles brasileiras são marcadas pela sobrecarga do espaço físico e a pequena oferta de alternativas de transporte público para que as pessoas cheguem nos seus locais de emprego e comércio, evidenciando a crescente crise da mobilidade urbana brasileira.

Em primeira análise, conforme o Denatran, o Brasil já tem um automóvel para cada 4,4 habitantes. São 45,4 milhões de veículos. Tal fato evidencia que, tendo o carro como um símbolo de ascensão social, as grandes metrópoles estão cada vez mais engarrafadas pelo número de veículos circulando nas principais avenidas e vias da cidade, uma vez que são as rotas mais usadas pela grande massa populacional das periferias, em horários de pico, para chegar ao seu local de trabalho – geralmente no centro da cidade. Desse modo, tendo um projeto urbanístico mal planejado, no qual a maior parte da população está nas periferias e as ofertas de emprego estão no centro, as capitais brasileiras sofrem com a grande aglomeração de carros no mesmo horário e no mesmo local, aumentando cada vez mais a cultura do engarrafamento e evidenciando a crescente crise de mobilidade urbana.

Outrossim, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, do total de brasileiros que usam ônibus, 22% gastam mais de duas horas no trânsito para chegar ao destino. Evidencia-se, portanto, a má qualidade e a ineficiência do transporte público, uma vez que há poucas faixas de ônibus nas grandes cidades e as condições dos veículos são precárias. Dessa maneira, tendo que transitar em vias engarrafadas, os ônibus são, cada vez mais, uma opção defasada para vencer a crise de mobilidade urbana. Além disso, alternativas como as ciclovias são pouco valorizadas, diminuindo cada vez mais as alternativas. Logo, existe não somente uma crise na mobilidade, mas também na saúde mental da população por passar horas dentro de um ônibus para chegar ao seu destino.

Portanto, a fim de solucionar tais problemas, o Ministério das Cidades deve promover a revisão do plano diretor das metrópoles brasileiras, por meio de uma lei que não somente obrigue as empresas atuarem nas periferias, mas também que fomente a construção de novas ciclovias. Nesse sentido, o intuito de tal medida é diminuir a distância do emprego e o trabalhador, fazendo com que menos pessoas tenham que usar carros para se locomover e passem menos tempo no transporte público, além de ofertar novas alternativas de mobilidade para a população.