A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/09/2020

A agenda ONU 2030 é composta por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de cidades sustentáveis. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto discutido é sobre a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, seu problema não só deriva da valorização do automóvel particular, mas também da precariedade do transporte público.

É fulcral pontuar, primordialmente, que o apreço pelo carro próprio intensifica o problema do deslocamento nas cidades. Nessa ótica, de acordo com Jane Jacobs, o culto pelo automóvel, tanto trata ele para o deslocamento pessoal, quanto como forma de status social. Porém, essa exagerada valorização do veículo, somado ao enaltecimento pessoal, faz com que mais indivíduos passem a comprar e utilizar tal transporte. Por conseguinte, o aumento da frota de carros particulares em circulação, congestiona as metrópoles e prejudica o movimento pendular, uma vez que elas não possuem capacidade de suprir a enorme demanda automobilística, o que contribui com a crescente crise na mobilidade urbana brasileira.

Além disso, é imperativo ressaltar a precariedade do transporte público. Nessa perspectiva, segundo o artigo 6 da Constituição Federal de 1998, o transporte público é um direito social garantido pelo Estado. Todavia, nota-se, hodiernamente, que tais modais, além de sucateados, também, muitas vezes, não possuem frotas suficientes para atender toda população - evidenciado na pesquisa do IBOPE, em que 83% da população usaria o transporte público, caso estivesse em condições adequadas de utilização. Logo, além do governo não cumprir sua Constituição, devido à  negligência, também intensifica a imobilidade urbana, já que não promove medidas sociais para a utilização de locomoções coletivas.

Portanto, urge que ações sejam tomadas a fim de minimizar os impactos da crise da mobilidade urbana brasileira. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado - Ministério do Desenvolvimento Regional, em parceria com as Secretarias Municipais - crie medidas para combater a cultura automobilística e a precariedade do transporte público. Isso será feito mediante a destinação de verbas governamentais para a criação de malhas ferroviárias, que integram as cidades brasileiras e auxiliem no deslocamento pessoal, o que reduzirá o congestionamento das metrópoles. Somente assim, pode-se chegar à realidade proposta pela ONU para 2030.