A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/09/2020

O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga, a questão da crescente crise na mobilidade urbana brasileira pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um problema que vive às sombra da sociedade, em razão da falta de políticas públicas, bem como a falta de debates sociais.

Em primeira análise, é necessário ressaltar que a falta de política públicas, que interfiram e invistam em transportes públicos de qualidade, coopera para o aumento da crise na mobilidade urbana. Consoante a esse pensamento, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, na sua obra ‘‘Contrato Social’’, afirma que o Estado é responsável por viabilizar políticas que cooperem para o bem-estar coletivo. Nesse contexto, uma vez que o Estado se isenta do seu papel não fornecendo políticas públicas adequadas para a melhora do transporte público no país, ocorre a quebra do contrato social e constitucional. Desse modo, fazendo com que a sociedade opte cada vez mais por transportes particulares, devido ao sucateamento dos transportes públicos, dessa forma, faz-se necessário a revisão da postura estatal.

Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sociais coopera para a permanência do silenciamento da crise da mobilidade urbana na sociedade. Nesse espectro, o filósofo alemão Hans Jonas diz que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer e corrigir suas enfermidades sociais, ou seja debatendo sobre o aumento da crise de mobilidade urbana e suas consequências para o meio ambiente, como chuvas ácidas e aquecimento global. Diante disso, a desmistificação da problemática será constante, permitindo mudança de hábitos em prol do meio ambiente.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, o Ministério do Meio Ambiente, junto ao estado deve criar medidas de investimentos em políticas públicas, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que os investimentos devem ser direcionados a redes municipais para a melhora dos transportes públicos, bem como para ONGs para o aumento da conscientização social e a importância da mudança de hábitos da sociedade para ocorrer a melhora do Meio Ambiente. Com fito de, aumentar o uso de transportes públicos nas metrópoles e diminuir a crise da mobilidade urbana, sabendo que o Estado tem papel essencial na resolução do impasse.