A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 28/09/2020
O filósofo romano Sêneca dizia que “para a ganância, toda a natureza é insuficiente”. Hodiernamente, a mobilidade urbana vem passando por uma grave crise em todo o Brasil, o que gera graves consequências a partir disso. Indubitavelmente, o descaso governamental e a falta de investimentos no transporte público corroboram para que tal situação ocorra.
Em primeiro plano, vale destacar que a ampla displicência na atuação do Governo sobre o tema é explicitamente clara. Conforme o filósofo francês Michel Foucault, o papel do Governo é maximizar o bem-estar dispondo de uma administração correta e justa, realidade que hoje não ocorre no Brasil. Logo, se o cenário hodierno não for alterado, as consequências que serão causadas por culpa de tal desdém são inestimáveis para a sociedade como um todo, desde as mais baixas classes até as mais altas. Dessa forma, a garantia do direito básico à mobilidade urbana, garantida pela Constituição, sofre grandes ameaças.
Não obstante aos fatos supracitados, a ausência de investimento nos transportes coletivos que sucede hoje no país funciona também como agente facilitador para a crise na mobilidade urbana. Conforme pesquisa do Observatório das Metrópoles, a frota de carros no Brasil duplicou na última década. Infelizmente, esse aumento no número de automóveis individuais acontece pela falta de conforto, apesar dos altos preços para usá-los, em ônibus e metrôs, além do baixíssimo investimento em malhas cicloviárias e metroviárias. Em virtude disso, a persistência de tal problemática torna-se um desafio para a sociedade.
Em suma, torna-se factual que a situação hodierna, no tocante à crise na mobilidade urbana no Brasil é motivo de grande preocupação e, por isso, são necessárias ações de alguns órgãos. Portanto, compete ao Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, órgão esse responsável pelas questões viárias tupiniquins, investir na aquisição de novas frotas de transportes públicos por todo o país, a fim de reduzir as taxas de emissão de carbono que os automóveis causam, além de aumentar o conforto do usuário dos coletivos. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo, através da Comissão de Viação e Transportes (CVT), fiscalizar ativamente todos os investimentos feitos pelo Estado na área, para que assim haja conhecimento da população sobre onde os seus impostos estão sendo investidos. Como resultado dessa perspectiva, poder-se-á pensar em um futuro sem mais instabilidades sobre tal tema.