A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/09/2020

Elaborado pela Organização Mundial da Saúde, o projeto “Cidade Amiga do Idoso”, visa adequar os ambientes urbanos às necessidades e às dificuldades dos indivíduos em idade avançada. Ainda que tal medida seja restrita a uma grande parcela da sociedade, percebe-se que atualmente os centros urbanos enfrentam grandes dificuldades no tocante à mobilidade urbana. Desse modo, é possível destacar que o processo de urbanização impensado bem como a desigualdade social funcionam como propulsores da problemática.

De acordo com o Censo de 2019, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população brasileira se encontra no patamar de 210 milhões de habitantes. De acordo com essa constatação, sendo que a urbanização do país ocorreu de modo desordenado, haja vista o acelerado processo de fragmentação nas grandes cidades, o crescimento da população brasileira não é acompanhado por medidas que viabilizam um deslocamento satisfatório à população. Logo, tendo em vista que um grande contingente populacional possui alta demanda de desenvolvimento urbano, a presente tendência de aumento do número de habitantes no país poderá favorecer ainda mais a deficiência de planejamento urbano e, consequentemente, a crise da mobilidade nas cidades brasileiras.

Consoante ao que é definido pelo Artigo 5º da Constituição Federal, todos os cidadãos são iguais perante a lei, independentemente de qualquer natureza. Acerca dessa norma, reflete-se a respeito dos empecilhos proporcionados pela perpetuação desse infortúnio na sociedade brasileira. Nesse sentido, acerca de tais efeitos negativos, a discrepância entre o deslocamento cotidiano de indivíduos menos abastados e mais abastados favorece a crise de mobilidade urbana, tendo em vista que quanto mais abonado, melhores condições de mobilidade determinado grupo possui.

Nessa perspectiva, cabe à sociedade civil organizada, mediante a proposição de medidas estruturantes nos conselhos municipais, pressionar o Poder Legislativo- responsável por aprovar e idealizar políticas públicas- a elaborar programas sociais que consigam desacelerar o processo de fragmentação das cidades brasileiras, como forma de promover a unidade e a mobilidade urbana de qualidade de todas as esferas populacionais igualmente. Feito isso, a realidade das cidades brasileiras poderá condizer com o que é previsto pela Constituição Federal.