A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 28/09/2020
Durante o governo de Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1961, houve grande incentivo à indústria automobilística no Brasil, resultando em aumento do número de veículos em circulação. Contudo, com a elevação na compra de automóveis desde aquele período, tem crescido a crise na mobilidade urbana no país. Nesse contexto, destacam-se como causas da problemática o inchaço urbano e a falta de infraestrutura nas cidades.
A princípio, o grande contingente populacional nas urbes brasileiras influencia diretamente nos problemas de mobilidade encontrados. A partir dessa ideia, segundo o IBGE, desde a década de 70, foi expressivo o êxodo rural no território nacional, transformando o Brasil em um país predominantemente urbano. Dessa forma, com cada vez mais indivíduos disputando o mesmo espaço físico, a locomoção é prejudicada. Assim, visto que o fluxo de pessoas continua voltado para os grandes centros, tem-se a acentuação dos impasses na mobilidade, tais como os constantes congestionamentos e a lotação do transporte público.
Outrossim, a falta de infraestrutura é determinante para a crise na locomoção. Nesse sentido, de acordo com o Contrato Social do filósofo genebrino Rousseau, é de responsabilidade dos governantes garantir o bem-estar dos cidadãos a partir das ações do Estado. Entretanto, essa visão contratualista não é efetivada na questão das políticas voltadas à mobilidade urbana. Isso posto, é evidente o descaso governamental com o transporte público, o qual se apresenta em más condições e não tem a capacidade necessária para acomodação de todos os passageiros, bem como com a construção de ciclovias em quantidade abaixo do esperado. Desse modo, a sociedade tem sua livre circulação limitada pela insuficiência de investimentos nos serviços relacionados à locomoção urbana.
Portando, tendo em vista a problemática analisada, cabe ao Governo Federal incitar a mudança de famílias para cidades interioranas, a partir do oferecimento de novas vagas de emprego, as quais estarão disponíveis devido a incentivos fiscais para a instalação de empresas nessas localidades, a fim de distribuir melhor os brasileiros pelo território e evitar o inchaço das urbes. Aliado a isso, as prefeituras municipais devem aumentar os investimentos destinados ao setor de transporte, para que os deslocamentos sejam facilitados e a qualidade de vida seja melhorada nas cidades. Assim, espera-se que o direito de ir e vir da comunidade seja respeitado e colocado em prática de maneira saudável.