A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 28/09/2020
O conto A Autoestrada do Sul, de Júlio Cortázar apresenta um engarrafamento que dura anos. No trecho “ligar o motor, avançar três metros, parar, conversar com as duas freiras do 2HP da direita (…)” retrata a intensa e cansativa missão de enfrentar um congestionamento. De forma análoga, o texto pode certamente ser considerado como um julgamento em relação à crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Assim, sabe-se que o aumento de tempo de deslocamento por transportes públicos, juntamente com o crescimento do número de vítimas de acidentes de trânsito auxiliam na persistência de tal situação.
De acordo com dados do Índice de Bem-Estar Urbano (Ipea), um em cada dois brasileiros leva pelo menos 30 minutos para se deslocar de casa para o trabalho. Além disso, conforme o Ipea, em 2009, os pobres gastaram quase 20% a mais de tempo do que a classe mais abastada. Desse modo, nota-se que que grande parte da população brasileira não se encontra inserida em um sistema de oportunidades, onde se inclui a oportunidade digna de deslocamento. Ademais, diversas vezes as ofertas de trabalhos se concentram em áreas centrais, gerando a consequência causada pela dificuldade de locomoção na busca de empregos, contribuindo para a persistência de tal situação.
Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), mais da metade das mortes no trânsito ocorre entre os utilizadores vulneráveis das vias: ciclistas pedestres e motociclistas. De forma similar, a moto é considerada um veículo simples e de fácil acesso por indivíduos de classe média, entretanto, devido ao estado vulnerável do motorista, pode se tornar um grande prejuízo social, visto que, de acordo com informações do Ministério da Saúde, faleceram no Brasil aproximadamente, 12.480 pessoas em acidentes com motocicletas. Diante disso, sem dúvidas a população mais pobre está mais sujeita a tal vulnerabilidade, pois o crescimento da motorização por motocicletas se dá principalmente me áreas de periferia.
Em suma, é necessário medidas que auxiliem na diminuição da crise na mobilidade urbana no Brasil. É fundamental a criação de campanhas realizadas por veículos midiáticos, juntamente com o ICETRAN (Instituto de Certificação de Trânsito e Transporte), a fim de alertar e conscientizar a população brasileira sobre pautas relacionadas a segurança no trânsito. Além disso, é de responsabilidade do poder público municipal em companhia com o Ministério da Infraestrutura, fiscalizar as leis referentes ao transporte público, de modo que contribua com o indivíduo mais pobre. Assim, será possível, gradativamente, a melhoria de tal problemática.