A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 28/09/2020
Segundo George Santayanna, filósofo espanhol, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Desse modo, a temática descrita pelo pensador assemelha-se com os dias atuais, visto que a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil está enraizada na história do país. Dessa forma, a consolidação de uma cultura consumista e o déficit de investimentos em transporte público, são fatores preponderantes para tal questão.
O advento da industrialização do Brasil no mandato de Juscelino Kubitschek, em meados do século XX, tinha como objetivo atrair as indústrias internacionais para solo brasileiro. Dessarte, maior incentivo à construção de rodovias foi concretizado para facilitar o fluxo de mercadorias, atraindo assim, empresas estrangeiras. Nesse âmbito, é notório que a realidade se assemelha nos dias de hoje, haja vista que com a vinda de transnacionais no período que perpetua a ótica da globalização e do capitalismo, há a necessidade constante de adquirir determinados produtos. Em decorrência disso, o cidadão que visa adquirir os modelos consumistas impostos pelo corpo social, obtêm cada vez mais mercadorias como automóveis, contribuindo para a exponencial crise da mobilidade urbana. Isso ocorre como forma de ocultar a situação social vivida, por exemplo, uma vez que destaca o sujeito que ostenta para impressionar.
Por outro viés, cabe salientar que, segundo a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito de ir e vir, assegurado pelo Estado. Contudo, essa cláusula não se faz coerente com a realidade atual do país, já que a crescente crise da mobilidade urbana brasileira priva a população desse direito. Isso porquanto o descaso governamental para com o transporte público que facilitaria o engarrafamento, é certeiro, oferecendo para a sociedade um veículo comunitário de má qualidade com passagens de alto valor. Assim, revela-se a necessidade de destinar maior quantidade de verba no setor automobilístico coletivo, visto que a utilização de carros próprios dificulta o deslocamento dentro dos grandes centros.
Portanto, são inevitáveis ações proativas no embate à crescente crise da mobilidade urbana sendo imprescindível que as Escolas realizem palestras alertando das consequências do consumismo exacerbado, em conjunto com especialistas contratados, mediante a cessão de capital público aos órgãos competentes, com o designo de extinguir o consumo acentuado. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura - instituição de alta relevância para o país – investir em melhorias estruturais nos transportes públicos, por meio de empréstimos e de incentivos fiscais, a fim de estimular seu uso e diminuir o congestionamento nas cidades. Dessa forma, tais atitudes direcionarão para uma realidade comportamental preferível de uma sociedade.