A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/09/2020

O século 20 é conhecido como “o século do automóvel”. Os primeiros veículos foram produzidos na Europa, mas foi a partir de 1908 que o industrial Henry Ford passou a produzir carros padronizados em massa. Essa popularização levou à construção de estradas e ruas asfaltadas, influenciando a evolução das cidades e da vida moderna. Todavia, surgiu grandes problemas como o sobrecarga do espaço com a limitação do fluxo e a incapacidade do sistema de transporte em comportar o aumento da população. Dessa forma, é imprescindível remediar tal problemática.

A mobilidade urbana brasileira vem priorizando sempre o individual ao coletivo. O poder público acabou não preparando ruas suficientes para a quantidade de carros por habitante. Na Europa existem padrões estipulados de promoção de mobilidade à população dispostos da seguinte ordem: pedestre, ciclista, transporte coletivo, transporte de carga (abastecimento da população) e transporte individual. No entanto, o Brasil tem essa hierarquia afetada, visto que criar corredores exclusivos para ônibus, ou ainda ciclovias, tornou-se medida impopular.

Ademais, o planejamento urbano e a evolução dos meios de transportes coletivos não acompanharam o rápido crescimento urbano. Com o aumento da renda média dos brasileiros, houve um número crescente de veículos nas ruas e preferência por transportes individuais. A legislação brasileira garante uma política pública teoricamente eficiente quando o assunto é mobilidade urbana como o Estatuto das Cidades e a lei 12.587/12, obrigando municípios a atender uma série de requisitos, como ciclovias e ciclo faixas, sustentabilidade no transporte público, proteção de áreas ambientais, entre outros. No entanto, o que existe hoje é inchaço populacional e a expansão das cidades, com áreas cada vez mais periféricas, que são desatendidas pelo poder público em relação às políticas de mobilidade.

Portanto, a mobilidade urbana, para ser eficiente, deve passar por um rigoroso planejamento. Sendo assim, o Ministério de Infraestrutura deve por meio de políticas públicas, ampliar as áreas atendidas pelos transportes coletivos, integrando-os, focando também no uso de meios alternativos de locomoção como ciclovias e ciclo faixas, caronas coletivas e compartilhamento de bicicletas com o objetivo de melhorar a locomoção e diminuir os impactos ambientais, visto que traz benefícios e impactam diretamente na qualidade de vida da população. Afinal, a cidade é de todos, e todos têm o direito ao transporte de qualidade.