A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/10/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito de ir e vir é uma das garantias fundamentais do cidadão. Lamentavelmente, esse direito não tem sido bem assegurado no país. Isso fica evidente pela crescente crise da mobilidade urbana brasileira. Esse cenário antagônico é fruto tanto do aumento descomedido da frota de carros, quanto da péssima estrutura do transporte público.
Em primeira análise, com a expansão da indústria automobilística no Brasil, durante o governo de Jucelino Kubicheck, houve um aumento na produção e na compra de veículos no território nacional. Com o aumento do número de carros trafegando pela cidade, há também o aumento das ilhas de calor e da emissão de gás carbônico, que é um dos gases que contribui para o aquecimento global. Além disso, a maior circulação de carros nas ruas gera aumento do número de engarrafamentos e maior lentidão no trânsito, podendo gerar atrasos e estresse aos motoristas. Infelizmente, essa situação só contribui para o crescimento da crise da mobilidade urbana.
Ademais, a péssima estrutura do transporte público é outro promotor do problema. Nesse sentido, com a revolução industrial, o êxodo rural fez com que as cidades ficassem lotadas, sendo necessário assim, políticas públicas para a mobilidade urbana. Da mesma forma deveria ocorrer atualmente, pois devido ao grande número de pessoas nas cidades, é necessário que se tenha uma grande infraestrutura no transporte público. Porém isso não ocorre, pois o transporte público brasileiro é caracterizado pelos altos preços das passagens na capital e lotação nos ônibus e metrôs. Dessa forma, a população opta pela utilização de carros como meio de transporte, que infelizmente contribuem para formação de engarrafamentos e lentidão do trânsito.
Dessarte, medidas devem ser tomadas para conter o avanço da problemática. Ao Governo Federal, juntamente com os municípios, cabe a ampliação nas linhas de ônibus e de metrô por meio da construção de linhas de metrô e o aumento da frota de ônibus nas cidades. Espera-se com isso, diminuir a lotação no transporte público, aumentar o número de usuário de ônibus e metrô, e consequentemente diminuir o uso do carro, além de diminuir os engarrafamentos. Desse modo, é possível fazer valer o direito de locomoção, assegurado pela Constituição Federal.