A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 22/10/2020

Uma das políticas do presidente Juscelino Kubitschek, no século XX, foi os altos incentivos dados ao setor automobilístico. Nesse contexto, o brasil enfrenta hoje os reflexos dessa política como a supervalorização do carro, que impede a fácil locomoção dos indivíduos. Diante disso, a falta de investimentos em outros transportes, bem como a exaltação do carro pela sociedade reforçam esse fato social.

Em primeiro plano, o pequeno tamanho da malha metroviária brasileira é um dos responsáveis pelo estímulo à aquisição de carros. No documentário brasileiro ‘‘Perrengue’’ é evidenciado os problemas relacionados ao trânsito e o papel central do carro em detrimento do transporte público. Dessa forma, com linhas escassas, trens desconfortáveis e antigos, grandes metrópoles apresentam opções pouco diversificadas de locomoção. Além disso, a insuficiência de investimentos nos ônibus, que circulam em estado precário, nos caminhos dos pedestres, os quais apresentam riscos a, principalmente, deficientes e idosos devido aos buracos, fazem a população, em busca de segurança e conforto, optar pela aquisição do veículo próprio.

Em segundo plano, cabe mencionar o endividamento dos cidadãos devido à compra do automóvel individual. Isso ocorre tanto para suprir a necessidade de deslocamento, quanto pelo status visado pela sociedade. Nesse sentido, há um enorme incentivo ao uso de carros pelas mídias, as quais atrelam felicidade e consumo, reflexos do atual modelo econômico capitalista. Como consequência disso, nota-se o aumento de prejuízos individuais e coletivos gerados pela valorização do carro próprio e seus efeitos. No que diz respeito à saúde individual, percebe-se a diminuição da qualidade de vida, não só pelos estresses gerados pelos congestionamentos, como também a intensificação do sedentarismo. A longo prazo, por sua vez, há a liberação de gases poluentes intensificadores do efeito estufa, os quais afetam á saúde e ao meio ambiente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver essa problemática. Por isso, cabe ao Poder Público, por meio da aplicação de verbas destinadas aos transportes, promover a manutenção e modernização destes, além de ampliar a quantidade de linhas de metrô e a fiscalização de seu funcionamento, a fim de desincentivar a busca pelo transporte particular e facilitar a locomoção urbana no Brasil. Ainda, o governo, em parceria com empresas privadas, deve desenvolver, por meio de investimentos direcionados pelo Tribunal de Contas da União, em mais projetos de ciclovias -haja vista ser uma alternativa benéfica e sustentável- com o auxílio da mídia, para divulgar estimular a utilização de bicicletas e outras opções de modais. Desse modo, a mobilidade urbana será garantida.