A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 07/10/2020
É inegável que desde os anos 50 a cultura automobilística se expandiu no Brasil, sendo hoje o carro o meio de transporte mais usado e mais comprado pelos brasileiros segundo o IBOPE. Tal fato, não é tão agradável quando se é analisado crise na mobilidade urbana, no qual há uma alta quantia de carros nas ruas e falta de melhorias e criação de meios de transporte público e individual.
Em primeira análise, nota-se que desde o plano desenvolvimentista do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em que foi expandida a malha rodoviária no Brasil, o número de carros em circulação cresceu exponencialmente, algo que além do engarrafamento que gera atrasos e estresse aos cidadãos, polui o meio-ambiente com gases do efeito estufa contribuindo para o surgimento de ilhas de calor, segundo o IEMA. Notoriamente, a crise da mobilidade afeta a qualidade de vida, pois a saúde dos cidadãos é altamente abalada por meio da prostração e da degradação do ar, algo inadmissível em um país em desenvolvimento.
Além disso, a falta de melhorias nos transportes públicos e de criação de meios alternativos, agravam ainda mais essa crise visto que, a grande mobilização para criação de rodovias durante governos anteriores estagnou o avanço em modais ferroviários e no transporte coletivo e postergou o desenvolvimento de políticas públicas para meios de transporte menos poluentes como as bicicleta e patinetes compartilhados. Mediante esses fatos, é incabível que o direito de locomoção previsto no artigo 5° da Constituição Federal não seja de gozado pelos indivíduos em razão da negligência dos representantes eleitos.
Diante os empecilhos expostos, evidencia-se, portanto, que para que haja solução da crescente crise na mobilidade urbana brasileira é necessário a intervenção dos Ministérios da Infraestrutura e da Cidadania. Ao primeiro cabe a criação de políticas nacionais de melhoria da infraestrutura dos modais de transporte bem como ampliação da frota de transporte público existente por meio de verba e projetos repassados aos municípios. Já o Ministério da Cidadania ficará responsável pela organização de esportes como ciclismo e da viabilização de parcerias com empresas que oferecem o serviço de compartilhamento de transporte não poluente. Dessa forma, será possível diminuir a quantidade de carros em circulação para melhorar a qualidade de vida da população.