A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/10/2020
A “Revolta do Vintém” aconteceu em 1879, durante o governo de Dom Pedro II, no qual a população se revoltou com o aumento de 20 réis sobre as passagens de bondes e trens. A incapacidade de lidar com a mobilidade urbana é histórica. Os inchaços urbanos e o dificulto acesso aos centros comerciais, somado ao crescente uso de automóveis, geram um cenário caótico no acesso à cidade.
Em primeiro lugar, a urbanização desorganizada é geradora da crise na mobilidade urbana. Os polos empregatícios concentram-se nos grandes centros urbanos, que são acessíveis por uma diminuta malha metroviária e por ônibus de pequena frota comparado ao número de usuários. Por vezes os trens apresentam problemas nos trilhos e o ônibus enfrentam ruas estreitas e rotas insuficientes a todos os pontos da cidade. Portanto, nota-se que o despreparo governamental em pensar a formação e fluidez do meio urbano nega o acesso à cidade.
Por conseguinte, o descaso com o transporte coletivo favorece o uso do transporte individual. Segundo o Observatório das Metrópoles em 2018 o total de automóveis passou para 65,7 bilhões, contra 37,1 milhões de 2008, sendo 17 regiões metropolitanas responsáveis por esse crescimento. A consequência são altos índices de poluição e obstruções das vias de trânsito. Denota-se que o déficit de investimentos em transporte coletivo é fomentado com uma solução incoerente à formação da cidade, pois é somada a falta de planejamento urbano ao alto consumo de veículos individuais, o que tolhe a praticidade do usuário em circular pelas vias e congestiona-as ainda mais.
Diante desse contexto, é evidente a necessidade de investimento no transporte coletivo. Dessa forma, as câmaras estudais devem ceder incentivos fiscais às empresas localizadas nas regiões metropolitanas, a fim de espraiar as possibilidades de emprego para aos redores dos centros urbanos, desobstruindo-os. Ademais, o Ministério do Planejamento junto ao Ministério do Transporte deve viabilizar o passe livre gradualmente, de modo que as empresas possam redirecionar o dinheiro do benefício com transporte para a arrecadação de impostos à União, dessa forma o dinheiro será repassado às prefeituras locais que irão investir na infraestrutura do transporte coletivo. Como resultado teremos uma mobilidade urbana mais fluída e menos poluidora.