A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/10/2020

Durante o governo populista de Juscelino Kubitschek, houve o desenvolvimento do plano de metas — mais conhecido pelo lema “50 anos em 5” —, que tinha como principal objetivo estabelecer um intenso processo de urbanização, o que foi responsável pela construção de diversas rodovias no país. Por conseguinte, o Brasil hodierno vive uma crise para solucionar a problemática da mobilidade urbana em seu território, uma vez que o movimento pendular e a falta de investimento em infraestrutura para os transportes públicos são as principais causas desse impasse.

De fato, o movimento pendular é um fator crucial para o desenvolvimento da problemática, já que o deslocamento diário de indivíduos entre municípios distintos, para fins de trabalho, estudo e moradia possui uma notável influência na mobilidade urbana do país. Em consequência disso, há um grande congestionamento de automóveis nas rodovias nacionais, apesar dos sistemas de ônibus urbanos serem a modalidade de transporte público predominante no Brasil, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Nessa conjuntura, torna-se perceptível que existe uma relação direta entre o movimento pendular e o surgimento de engarrafamentos no território nacional, fenômeno que causa um grande desafio para a administração das rodovias.

Paralelamente, sabe-se que a falta de investimento em infraestrutura para os transporte públicos agrava os entraves para o desenvolvimento da crise da mobilidade urbana. Nesse sentido, o filósofo Jeremy Bentham defende, a partir da ética utilitarista, que as ações devem ser pautadas no caráter pluralista, com o intuito de beneficiar o maior número possível de cidadãos. Entretanto, ao analisar a condição dos transportes coletivos, verifica-se a não efetivação desse pressuposto, pois a falta de determinados investimentos públicos contribui para o aumento do drama sofrido pela população, que consequentemente opta pelo transporte individual. Esse fator, configurado pela desorganização rodoviária do país, é um dos grandes responsáveis pela atual crise na mobilidade urbana.

Portanto, é mister que o Ministério dos Transportes, órgão da administração brasileira lançado em 2019, crie projetos de ampliação das rodovias capazes de garantir um movimento pendular rápido, por meio de construções em escala nacional nos centros e periferias de diferentes cidades, para que haja um maior fluxo de automóveis nos aglomerados urbanos. Essa medida, potencializada pelo investimento em infraestrutura para os transportes coletivos, seria eficaz não apenas para as maiores metrópoles brasileiras, mas também para as menores cidades, já que a crise da mobilidade urbana se tornou um impasse frequente em todo o território nacional. Dessa forma, será possível constituir uma harmonia entre o plano de metas de Juscelino Kubitschek e o movimento urbano do país.