A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/10/2020
Durante o mandato de Juscelino Kubitschek, a indústria automobilística e o rodoviarismo obtiveram grandes investimentos devido ao seu Plano de Metas “50 anos em 5”. Infelizmente, o incentivo ao consumo prioritário de um modal trouxeram graves problemas para a vida urbana. Logo, a falta de aplicação de recursos em outros transportes e a péssima qualidade do transporte público são fatores que influenciam na crise da mobilidade urbana brasileira.
Em primeira análise, é válido ressaltar o pensamento do sociólogo Michael Foucault, “tudo é politizável”, ou seja, pode tornar-se político. Nesse viés, observa-se que os investimentos voltados para consolidar o uso de outros modais são ínfimos, uma vez que o rodoviarismo é a principal forma de trafegar no Brasil. Porém, o uso excessivo das rodovias trazem sérios problemas, como o inchaço nas grandes cidades, engarrafamento, estresse e transtornos aos usuários. Partindo desse pressuposto, é incontestável que a falta de políticas públicas voltadas para a melhoria do transporte é um fator que deve ser erradicado de imediato.
Por conseguinte, é válido ressaltar que o transporte público não possui a eficiência que deveria ter, uma vez que a que a superlotação e a demora são fatores que desestimulam o uso deste. Sob esse prisma, é nítido que os indivíduos adquirem cada vez mais carros, a fim de não depender mais dos transportes coletivos, mas o uso de veículos individuais e, consequentemente, a queima de mais combustíveis fósseis proporcionam graves impactos climáticos e poluição ambiental. Neste sentido, é importante frisar que o fenômeno antrópico “ilhas de calor”, onde as temperaturas médias da cidade são maiores que as regiões rurais é devido, principalmente, a grande emissão de gases poluentes. Desse modo, medidas são necessárias para preservar o meio ambiente e minimizar o transtorno provocado pela malha rodoviária.
Portanto, cabe ao Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Infraestrutura fazer grandes investimentos nos transportes coletivos, a fim de aumentar, consideravelmente, o número de ônibus, além de investir na malha ferroviária, de modo que alivie o trânsito nas rodovias, por meio de, recursos oriundos dos cofres públicos. Dessa maneira grande parcela da população passaria a usufruir do transporte público e o pensamento de Foucault estará sendo usado na prática.