A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/10/2020
De acordo com o artigo sexto da Constituição Federal, todos os cidadãos brasileiros têm, entre outras garantias, o direito ao transporte. No entanto, esse pressuposto é descumprido em grande parte das metrópoles, nas quais há baixa disponibilidade de transporte público coletivo, o que causa a sobrecarga dos meios disponíveis. Além disso, o grande número de veículos particulares causa enormes congestionamentos, o que eleva o tempo de deslocamento e o estresse dos motoristas. Desse modo, faz-se necessário avaliar as origens da crise da mobilidade urbana no Brasil, a fim de solucionar tal problemática.
O excesso de carros no Brasil caracteriza-se como prejudicial ao transporte urbano no país. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se na chamada ‘‘Modernidade Líquida’’, na qual a fugacidade das inovações implica uma busca constante pela velocidade e agilidade. Por consequência, houve o aumento na aquisição de automóveis particulares e individuais, devido à necessidade de se locomover mais rapidamente. No entanto, a compra desenfreada de veículos levou a uma sobrecarga da malha viária das grandes cidades, como demonstrado pelos congestionamentos existentes em boa parte das metrópoles. Assim, é preciso que a compra de meios de transporte particulares seja desestimulada , a fim de gerar uma real mobilidade urbana.
O transporte coletivo público é ineficiente em atender à sua demanda de passageiros. A baixa qualidade dos serviços prestados, com ônibus e trens antigos e sem manutenção, aliada à superlotação dos meios são fatores de repulsão à adesão de motoristas de carros ao transporte coletivo. O amplo uso de ônibus e outros meios alternativos poderia sanar os problemas de trânsito nas grandes cidades, causados, majoritariamente, pelo excesso de veículos. Dessa forma, faz-se imprescindível o investimento na ampliação e revitalização dos serviços públicos de deslocamento.
Para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Infraestrutura invista na ampliação dos meios coletivos de transporte por meio da compra de novos veículos e contração de motoristas, e além disso, realizando planos de eficiência dos transportes, de modo a diminuir a demora e a lotação dos ônibus, a fim de atrair para tais meios a população usuária de carros, reduzindo, portanto, os congestionamentos e o estresse causado pelo trânsito. Dessa maneira, poder-se-á garantir uma efetiva gestão da crise da mobilidade urbana no Brasil.