A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/10/2020
O crescimento rápido, desordenado e não planejado das grandes metrópoles brasileiras são os principais responsáveis pela problemática da mobilidade urbana no cenário hodierno. Nesse contexto, a péssima infraestrutura organizacional das ciclovias e a desqualificação do transporte público causam o acúmulo de veículos particulares que superlotam as cidades, impedindo um funcionamento harmonioso entre os que estão inseridos naquele espaço. Nessa perspectiva, cabe avaliar propostas para que essa realidade seja alterada.
De início, torna-se relevante, uma caracterização das condições oferecidas aos ciclistas, assim como a influência da segregação socioespacial no tráfego urbano. Ressalta-se que o uso de bicicletas é uma das alternativas mais viáveis e econômicas em relação à problemática, além de contribuir para a redução das emissões de carbono na atmosfera. Conquanto, a existência de ciclovias está restrita à áreas mais nobres, uma vez que houve determinado planejamento das vias centrais. Desse modo, esse tipo de locomoção torna-se inacessível à população periférica, que não possui muitas alternativas. Tal dinâmica pode explicar os resultados das pesquisas feitas pelo IBOPE entre 2014 e 2015, que registrou uma diminuição de 28% da população que era favorável às ciclovias. Ademais, os espaços reservados à circulação de bicicletas é bem reduzido em comparação às vias para automóveis, o que contribui para o congestionamento e, por conseguinte, diminuição da mobilidade.
Outrossim, seguindo um raciocínio lógico, a melhoria do transporte público fornecido no país é outro fator que deve ser melhorado com o fito de induzir o uso desse segmento em detrimento de um transporte particular. Infelizmente, o serviço prestado possui qualidade e logística disfuncionais, visto que tanto a condição dos ônibus são fisicamente ruins quanto a falta de rotas mais adequadas à realidade das grandes cidades. Rio de Janeiro e São Paulo, cidades mais desenvolvidas, possuem metrô, mais uma opção para fugir dos ônibus. Contudo, os aplicativos uber e 99pop são bons aliados, já que comportam até quatro pessoas por viagem, diminuindo a quantidade que carros pelas ruas.
Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o Ministério das Cidades deverá desenvolver planejamentos, junto aos Governos municipais das capitais brasileiras, destinando vias alternativas para o tráfego de ciclistas e igualando o espaço físico destinado predominantemente para outros meios de transporte. Com isso, as bicicletas serão progressivamente incluídas no cotidiano da população, mitigando à problemática em discussão. Assim como, as prefeituras deverão cobrar uma melhoria dos ônibus, realizando uma pesquisa popular e exigindo uma melhoria dos pontos mais frequentes nas reclamações.