A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 19/10/2020

De acordo com a história, foi no governo de Juscelino Kubitschek que medidas foram efetivamente tomadas para a criação da indústria automobilística brasileira. Desse modo, o intenso processo de urbanização associado ao uso de veículos motorizados foram responsáveis pela transformação da mobilidade urbana no Brasil, que teve como consequência a grande utilização de automóveis auxiliando no transporte de pessoas e mercadorias. No entanto, as cidades mais desenvolvidas têm enfrentado diversos problemas relacionados à quantidade elevada de carros, entre as causas desse aumento pode-se citar as péssimas condições dos transportes públicos bem como a valorização do transporte individual.

Primeiramente, vale ressaltar que a Constituição Federal que foi promulgada, em 1988, garante o direito de ir e vir a todos os cidadãos. Todavia, transportes públicos sucateados é a realidade de muitas metrópoles brasileiras, em que a quantidade de ônibus, metrôs e trens são insuficientes para o número de usuários, que para chegar ao destino desejado utilizam de transportes superlotado, sem segurança e qualidade. Assim sendo, pessoas que necessitam exclusivamente desse serviço têm acesso restrito a cidade.

Outrossim, desde o fim da Guerra Fria, em 1985, e a consolidação do modelo econômico capitalista, cresce no mundo o consumismo desenfreado. No Brasil, é notável uma “cultura do carro”, em que possuir um automóvel é símbolo de status e o transporte público é associado às classes menos favorecidas. Essa valorização do transporte individual em detrimento do coletivo é intensificada com propagandas sobre os “carros do ano” e financiamentos bancários que facilitam a compra do carro próprio através de empréstimos. Dessa forma, a quantidade de automóveis nas ruas é elevada, o que gera congestionamentos e poluições.

Portanto, faz-se necessária a elaboração de medidas para combater a problemática abordada. Para isso, as prefeituras - responsáveis por garantir o deslocamento dos habitantes nos municípios - devem melhorar as condições dos transportes públicos, por meio do aumento da frota para evitar superlotações, além do desenvolvimento de hidrovias que permitirá o aproveitamento dos rios, a fim de assegurar a todos a liberdade de locomoção. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura, através de verbas governamentais, incentivar o uso de alternativas menos poluentes com a ampliação de ciclovias e a disponibilização de bicicletas em diversos pontos das cidades. Espera-se, com isso, a redução dos congestionamentos e dos impactos ao meio ambiente.