A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 29/10/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito de ir e vir é uma das garantias fundamentais do cidadão brasileiro. Em contrapartida, o caótico cenário da mobilidade urbana nos grandes centros ocupacionais exibe uma realidade distante da ideal. Nesse sentido, analogamente a isso, convém analisar pontos como o aumento da frota de carros e a falta de políticas públicas direcionadas aos transportes de massa.

Em primeiro plano, a obtenção de um veículo é um objetivo intrínseco na maioria dos brasileiros, sendo sinônimo de conforto e eficiência na execução das atividades diárias. Em vista disso, no governo de Juscelino Kubitschek, na década de 1950, foi difundido na população o uso do modal rodoviário, seja para locomoção de civis ou cargas, como meio de desenvolvimento econômico e social. Associado a isso, houve uma macrocefalia urbana alarmante no decorrer do segunda metade do século XX, nas grandes metrópoles. Posto isso, notou-se como resultados: congestionamentos diários, locomobilidade social prejudicada, ilhas de calor e poluição - atmosférica, sonora e visual-. Desse modo, entende-se como um fator histórico, em conjunto com o desejo e praticidade no deslocamento municipal, através de um único meio, resultou em sérios problemas de planejamento.

Concomitante a isso, o deficiente sistema de transporte público, bem como as poucas ciclovias distribuídas pelas cidades induzem a superlotação de carros. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, numa pesquisa de 2016, a frota de automóveis no país cresceu 400% nos dez anos anteriores. Em consonância com isso, a qualidade de vida é um ponto importante quando analisa-se o ambiente social, por isso, os preços cada vez mais altos dos mecanismos de movimentação pública, atrelado à escassa qualidade, como também a falta de calçadas e ciclovias que privilegiem pedestres e ciclistas, proporciona a tomada de decisões negativas impactando todos. Dessa forma, a ausência e ineficiência de medidas governamentais  estagnam o desenvolvimento da mobilidade sustentável e o bem social.

Fica evidente, portanto, que a limitada qualidade de deslocamento de cidadãos nas grandes cidades brasileiras é um aspecto alarmante. Em razão disso, o Ministério da Infraestrutura, em parceria com executivos municipais, deve destinar verbas significativas para o aprimoramento dos transportes públicos e o progresso de municípios resilientes e sustentáveis. Por meio da criação de ciclovias e ampliação de calçadas, flexibilização dos preços preços dos modais coletivos. Com o fornecimento de fiscalização rigorosa nessas localidades de translado alternativo, incentivo das caronas solidárias, e a disseminação dos impactos positivos dessas ações. Espera-se, com isso, que o direito individual previsto na Constituição seja de fato assegurado e praticado.