A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/10/2020

Na segunda fase da Revolução Industrial surgia o automóvel e a partir de então houve uma mudança radical no mundo moderno: tornou-se cômodo realizar grandes percursos terrestres ao ter um veículo próprio. Entretanto, o que não foi previsto inicialmente, e que hoje pode-se perceber, é que com o excesso de carros nas cidades brasileiras fez surgir uma grande crise de mobilidade urbana caracterizada principalmente pelo congestionamento e pela falta de educação no trânsito.

Dessa forma, observa-se inicialmente que o engarrafamento é de fato o principal problema na mobilidade urbana brasileira. Assim, as principais cidades do país sofrem com isso levando em consideração a presença dos centros comerciais e do fluxo de pessoas, fatores inevitáveis no processo de urbanização. Com isso, problemas como o estresse, frustração e atrasos tornam-se recorrentes, e apesar da existência de medidas que tentam contornar a situação, como o principal exemplo a cidade de São Paulo que adotou um rodízio diário que tenta controlar o fluxo de carros nas vias, é algo que tem se mostrado insuficiente, aparentando então ser um problema inevitável.

Além disso, há uma parcela de culpa por parte dos próprios indivíduos com a falta de educação no trânsito. Logo, certas atitudes são muitas vezes o princípio de um grande congestionamento que poderia ser evitado, tais como: não dar a preferência ao pedestre, usar o celular enquanto dirige ou estar sob efeito de bebida alcoólica. Sendo assim, como o ato de dirigir numa cidade é algo que requer disciplina pois existe uma legislação específica vigente, o núcleo do problema é a desobediência das regras de trânsito. Desse modo, a falta de ética, assim defendida por Aristóteles, constitui na obediência da moral, sendo esta o conjunto de regras específicas de uma sociedade, nesse contexto o ser antiético deve sofrer as consequências dos seus atos para evitar que isso seja recorrente.

Portanto, o Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Trânsito, deve intervir diretamente na mobilidade urbana brasileira por duas formas: a primeira é sobre a tentativa de reduzir os engarrafamentos com o oferecimento de mais transportes coletivos, aumentando o número de ônibus, trens e bicicletas compartilhadas, pelo menos nas principais cidades do país, para que o indivíduo tenham esses meios como mais vantajosos do que o próprio carro. Já a segunda deve ser voltada para a educação, implantando ainda no período escolar um curso de boas maneiras e leis de trânsito, além de uma capacitação periódica para aqueles que já dirigem, resultando assim uma naturalização sobre o valor que se deve dar ao trânsito no cotidiano e melhorando a crise da mobilidade urbana brasileira.