A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/10/2020

Mobilidade urbana diz respeito ao grau de liberdade e facilidade de locomoção que uma sociedade apresenta, o que lhe possibilita exercer o pleno direito de ir e vir presente na Constituição Federal de 1988. Contudo, observa-se no Brasil, uma crescente crise na capacidade de deslocamento da população, que interfere fatalmente nesse direito resguardado pela Carta Magna brasileira. Desse modo, a sociedade civil é obrigada a enfrentar diversos desafios hodiernos, sobretudo, no que tange ao tempo dos deslocamentos e a limitação dos meios de transportes no país.

Em primeira análise, cabe destacar como o tempo de deslocamento figura-se como um dos principais entraves à mobilidade urbana. Nesse sentido, apesar dos automóveis serem movidos por motores inovadores de combustão interna e com sistemas de injeção eletrônica, continua, dependendo do horário, gastando-se mais de 1 hora para se percorrer distâncias inferiores a 20 quilômetros dentro das fronteiras de uma metrópole, havendo, portanto, pouca diferença entre uma carroça e um carro de luxo de 400 cavalos de potência, em se tratando de eficiência locomotiva. Dessa maneira, observa-se que, ainda que a tecnologia tenha se desenvolvido bastante nos últimos séculos, o tempo de deslocamento permanece como um obstáculo a ser superado pelo homem cosmopolita e que interfere, precisamente, em sua capacidade de locomover-se.

Em segundo lugar, deve-se ressaltar que a falta de alternativas no que tange a modalidade dos meios de transporte é o outro empecilho que interfere diretamente no grau de mobilidade urbana. Isso porque, em âmbito nacional, as linhas ferroviárias, hidroviárias e metroviárias são subexploradas, o que, por sua vez, leva a uma sobrecarga das linhas rodoviárias. Assim, os indivíduos ficam dependentes, quase que exclusivamente, de ônibus ou automóveis particulares que são obrigados a circularem em vias congestionadas, devido a essa sobrecarga das rodovias. Diante disso, percebe-se um potencial locomotivo inexplorado e que poderia contribuir para a diversificação da matriz de transportes brasileira e, ao mesmo tempo, para o descongestionamento das vias rodoviárias.

Destarte, fica evidente os dois entraves que caracterizam a crise de mobilidade urbana no Brasil, sendo fundamental a propositura de planos de ação para solucionarem esse problema hodierno. Dessa forma, urge que o Governo Federal, por meio do departamento de construção civil do Exército, realize obras de caráter estrutural, visando criar condições de exploração dos potenciais ferroviários, hidroviários e metroviários presentes em solo nacional. Dessa forma, espera-se que surjam novas oportunidades de movimentação para a sociedade, promovendo uma maior fluidez nos trânsitos e, por conseguinte, reduzindo o tempo nos deslocamentos urbanos.