A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/11/2020

Progresso sem atrasos

No Brasil, a Constituição de 1988 intitula o direito da população de ir e vir como básico, porém a prática é, assim como outras leis, distorcida do papel. Por conseguinte, o deslocamento das pessoas é prejudicado devido à ineficiente integração das áreas brasileiras, o que dificulta a locomobilidade ur-bana e traz inúmeros prejuízos na rotina dos cidadãos. Assim, é importante discutir sobre a preca-riedade e as melhorias caso a mobilidade fosse vista de forma sustentável e rentável para o Estado.

Nessa visão, convém analisar a dificuldade do governo em gerir as obras construídas bem como a consequência disso. A exemplo tem-se o teleférico do Complexo do Alemão, construído em 2011 no Rio de Janeiro, o qual visava estreitar os caminhos dentro da comunidade e viabilizar uma nova forma de renda aos próprios moradores dentro da estação. No início, obteve êxito, mas atualmente encontra-se sucateado e sem investimentos, haja vista o superfaturamento de dezenas de milhões de reais desde a sua construção, de acordo com a Controladoria Geral da União (CGU). Logo, a população depende de caminhos longos e desgastantes que resultam em atrasos e cansaços advindos da má gestão do dinheiro público.

Adiante, no cenário hodierno, emerge também a relação entre sustentabilidade e locomoção. Sabe-se que, no Brasil, as rodovias exercem papel de destaque e os transportes que trafegam nelas poluem demasiado o ambiente, seja por meio da queima dos combustíveis fósseis ou pela poluição sonora. Uma das  alternativas encontrada foi a implantação de ciclovias, no entanto, em 2015 houve uma queda de 28% nos favoráveis ao método, como revela a pesquisa feita pelo IBOPE. Essa redução é consequência, dentre muitos motivos, da falta de infraestrutura e de segurança nas faixas. Demonstra-se, então, que é preciso tanto inovar quanto variar dentro dos parâmetros da sociedade, para que esta não sinta-se desmotivada pela má organização dos recursos.

Ao entender acerca da crise na mobilidade urbana brasileira, conclui-se que, para solucioná-la é essencial priorizar o bem estar do usuário, afastando-se da corrupção que persegue a política brasileira e heterogeneizar a disponibilidade de transportes. Portanto, o Ministério de Transportes deve disponibilizar verbas e criar parcerias privadas para modernizar o deslocamento, investindo em diversos meios, como hidroviários e ferroviários, visando à integração conjunta do país. O Ministério Público deve agir como órgão fiscalizador, tal medida será feita também com a participação da sociedade, comprometida em preservar as obras e avaliar constantemente seu estado de conservação. Posto isto, com a atuação íntegra dos moradores e Estado, o progresso não terá atrasos ou sequer pausas.