A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/11/2020

De acordo com dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas) um carioca demora, em média, uma hora e 48 minutos para realizar seus deslocamento diários, seguido de perto por paulistas, que realizam em uma hora e 36 minutos. Essa estatística não é um caso isolado e exemplifica a atual crise da mobilidade urbana no Brasil, construída por uma ineficiência estatal de longo prazo que produziu efeitos não só a praticidade mas também a qualidade de vida do cidadão moderno.

A princípio, a histórica segregação socioespacial contribui para esse panorama. A industrialização brasileira, a partir dos anos 30, propiciou a migração de trabalhadores para as cidades, principalmente do Sudeste, e por sua vez, a urbanização. Concomitantemente ao seu desenvolvimento houve a alta dos preços dos imóveis, o que não foi acompanhado por ações estatais para manter as proximidades do centro comercial acessíveis a todas classes. Dessa forma, os menos favorecidos foram continuamente ‘’empurrados’’ para as regiões periféricas, passando a residir longe das oportunidades de trabalho e de lazer. Consequentemente, esse fato associado a grande frota de carros particulares resulta na obstrução da mobilidade da população, sendo necessário horas para locomover-se pelo espaço urbano.

Ademais, a crise da mobilidade urbana afeta o bem estar dos cidadãos. Em um primeiro aspecto, as emissões de gases do efeito estufa por essa frota prejudica a saúde humana, seja por provocar fenômenos como a inversão térmica como por diminuir a qualidade do ar. Por exemplo, conforme dados do site Uol, um brasileiro, residente de uma das grandes metrópoles, perde, em média, 1,9 ano de sua vida devido a poluição atmosférica. Aliado a isso, as extensas horas desperdiçadas nos congestionamentos corroboram para o estresse e a falta de tempo para optar por uma alimentação saudável, exercícios físicos e outras atividades recreativas.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para a mitigação dessa problemática. O que pode ser feito, por exemplo, é os municípios serem mais efetivos na utilização das ZEIS de vazios urbanos (Zonas Especiais de Interesse Social), que demarcam áreas, dentro dos centros urbanos, que não estão cumprindo sua função social para construção de moradias populares. Esse instrumento urbanístico já faz parte do programa Minha Casa Minha Vida, porém grande parte das habitações são construídas em zonas periféricas. Sendo assim, efetivar seu uso permitirá que a população mais humilde resida perto do centro comercial, e por conseguinte otimize seus deslocamentos, além de reduzir as emissões de gases tóxicos e economizar todo o tempo e psicológico que seriam necessários para enfrentar o congestionamento de mais um dia normal na vida do cidadão brasileiro.