A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 04/11/2020

O conceito de entropia, da física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o legado histórico e a falta de investimentos.

É indubitável, nesse contexto, que o legado histórico urbano esteja entre as causas do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi- Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Assim, a crise na mobilidade urbana, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrísecas à história brasileira, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de investimentos para melhorar a situação. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Porém, para agir sobre essa crescente problemática, é preciso investimento massivo. Como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, sua amenização tem sido complicada.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Dessa forma, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes órgãos podem criar consultas públicas nos principais centros urbanos, nas quais a população interaja e aponte questões sobre a mobilidade urbana e seus principais desafios, que precisam ser resolvidos com urgência.