A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 10/11/2020
Em 1988, representantes populares – reunidos em Assembleia Constituinte – instituíram um Estado Democrático, a fim de assegurar o transporte como valor supremo de uma sociedade justa. No entanto,o caráter econômico vinculado ao deslocamento no país é evidente, dado o uso predominante de rodovias e o culto excessivo à imagem do carro, que se configuram como entraves para que uma mobilidade urbana efetiva se estabeleça no Brasil. Dessa forma, é necessário que tais fatores sejam combatidos, de modo a fazer valer o que foi estabelecido na Constituição.
Em primeiro plano, o rodoviarismo predominante no Brasil serviu de pivô para a crise atual na dinâmica urbana. Nesse sentido, em 1956, o presidente Juscelino Kubitschek – em seu plano de metas – preferiu investir em rodovias, o que incentivou a compra de carros, imprescindíveis para o deslocamento atual nas cidades. Entretanto, esse modelo serviu para promover a desigualdade social, à medida que restringiu o direito ao transporte à minoria detentora do poder econômico. É incoerente, portanto, que o Estado Democrático de Direito persista em não oferecer uma mobilidade inclusiva.
Ademais, o culto à imagem do carro é um empecilho para que se chegue a um transporte de massas adequado. Nessa lógica, o sociólogo Karl Marx desenvolveu o conceito de fetichismo da mercadoria, o qual afirma que o ser humano atribui poder sobrenatural a um objeto, cultuando-o. Assim, por tal poderio, o carro é objetivado por muitos, o que leva à superlotação das vias, causadas pelo excesso de veículos. Desse modo, enquanto a adoração ao automóvel for a regra, um meio de locomoção público eficiente será a exceção.
Para solucionar, portanto, a questão da crise dinâmica no Brasil, urge que os governadores de estados, em parceria com as prefeituras, invistam no transporte ferroviário, por meio da construção de trens e metrôs. Isso levaria à menor saturação dos meios de locomoção atuais, colaborando também para a redução da demanda de carros, o que seria causado pela ampliação e melhora dos meios de deslocamento de massa. Dessa forma, poder-se-á, enfim, superar a ideologia de desenvolvimento do século XX e atingir o almejado pela Carta Magna.