A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/11/2020

3 Horas de Desperdício

De acordo com a pesquisa realizada pelo IBOPE, paulistanos gastam em média 3 horas por dia no trânsito. Esse fato, ao ser analisado, retrata as condições precárias da mobilidade urbana não somente de São Paulo, mas também do Brasil, causados, sobretudo, pelo investimento excessivo na malha rodoviária, assim como pelo falta de uso dos diversificados meios de transportes. Portanto, é necessário modificar a maneira como a questão é tratada, com o objetivo de mitigar a mazela em debate.

Nesse contexto, é conveniente lembrar que a política desenvolvimentista imposta pelo Ex-Presidente Juscelino Kubistchek, na década de 50, a qual priorizava o investimento massivo na malha rodoviária e que continua sendo optada até os dias atuais, contribui para a crise da mobilidade urbana. Isso ocorre porque, ao escolher essa política econômica, o cidadão brasileiro sente a necessidade de comprar um carro para ter mais facilidade na locomoção, que, por conseguinte, eleva o fluxo de carros nas cidades, promovendo, desse modo, maiores índices de congestionamentos. De fato, essa tese é ratificada pela pesquisa realizada pelo IBOPE, a qual mostra que, nos últimos 10 anos, o número de veículos nas rodovias aumentaram cerca de 70%, o que evidencia a importância de solucionar o problema.

Outrossim, é correto afirmar que a falta de diversificação do uso dos meios de transportes corrobora o aumento de trânsito. Sob o mesmo prisma, o indivíduo, ao ser inserido num contexto em que o transporte coletivo e as ciclovias são destituídos de qualidade, os indivíduos de maior classe aquisitiva prefira adquirir o seu próprio veículo, aumentando, dessa forma, o fluxo de automóveis nas cidades. Efetivamente, essa assertiva é confirmada pela pesquisa produzida pela revista UOL, a qual afirma que a bicicleta é utilizadas pelo trabalhador, porém, a falta de ciclovias se trata de um obstáculo. Nessa perspectiva, esse cenário é impulsionado pela ausência de investimentos nas áreas diversas do transporte, o que mostra necessário intervir.

Destarte, a observação crítica dos fatos sociais ressalta a necessidade de solucioná-los. Para isso o Poder Executivo deve destinar uma maior parte dos tributos arrecadados, mediante a Lei Orçamentária Anual, para melhorar a qualidade dos transportes públicos já existentes e para ampliar os investimentos nas diferentes áreas do setor de transporte, como a criação de novas rotas cicloviárias. Essa medida tem o intuito de proporcionar aos cidadãos diferentes alternativas para a locomoção nas cidades, além de reparar o cenário hodierno no que concerne à questão do congestionamento. Assim, aos poucos, será possível subverter o quadro exposto pela pesquisa do IBOPE.