A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 11/11/2020

O presidente Juscelino Kubistchek, na década de 1960, promoveu a adoção do Modelo Rodoviarista, ou seja, construção, ampliação e melhoria das rodovias. Contudo, apesar de essa proposta ter interligado diversas regiões do país, causou uma dependência nesse modal. Nesse cenário, o escasso planejamento dos governantes no que tange o transporte de produtos e pessoas gerou uma série de transtornos que se materializam cotidianamente na vida da população.

Inicialmente, o processo de urbanização ocorrido em países como o Brasil teve seu desenvolvimento marcado pela ausência ou ineficácia de projetos de planejamento, considerando sua revolução industrial tardia. De acordo com o Departamento Nacional do Trânsito (Denatran), 1 a cada 4 habitantes possui carro, logo, as ruas estreitas e mal planejadas não suportam o fluxo intenso desses veículos. Além disso, a baixa variedade de horários dos transportes coletivos, realizando percursos demorados, levam à superlotação dos utilitários, atrasos e grande tempo de espera nos pontos de parada. Dessa forma, a população opta por deslocar-se em seus carros, pois, apesar de enfrentarem engarrafamentos, terão o mínimo de conforto.

Entretanto, apesar de o direito de ir e vir ser um benefício assegurado pelo artigo 5º da Constituição Federal, a falta de uma política constante de investimento na melhoria do transporte público e nos diferentes modais, como o ferroviário, criou serviços de baixa qualidade e caros. Nesse contexto, o curso de veículos, muitas vezes de forma imprudente e sob alta velocidade, reflete em acidentes de trânsito entre carros ou contra pedestres, assim como também afirmam dados do Denatran, em que 84% dos acidentes com vítimas ocorrem em zona urbana. Em suma, a alta circulação de automóveis afeta o bem-estar social, tendo em vista o estresse e a violência que o circunda.

Assegurar a livre circulação de pessoas e veículos, portanto, é um desafio da contemporaneidade que necessita políticas públicas. Para tanto, o governo, junto ao Ministério dos Transportes, deve investir em modais alternativos, como os metrôs, que permitam uma locomoção digna, restringir a circulação de veículos grandes pelo centro das cidades durante o dia e, também, fiscalizar e exigir rigor na aplicação da legislação de trânsito urbana ao longo do país, objetivando reduzir o fluxo de veículos e melhorar a qualidade de locomoção entre pessoas e carros. Ademais, cabe à população respeitar as políticas de “rodízio de placas” e procurar adotar hábitos mais conscientes, como a “carona solidária” que, facilitada pela ascensão de aplicativos de celular especializados, contribui para a diminuição do número de veículos nas ruas, a fim de desafogar o trânsito. Assim, a adoção dessas práticas poderá viabilizar o rodoviarismo e, também, alertar as instituições para a necessidade de diferentes modais.