A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 14/11/2020

Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cabe ressaltar o caos em torno do ir e vir dos brasileiros, já que mesmo com a existência de leis respaldando esse direito, na prática ela não é respeitada, o que ocasiona em uma infraestrutura precária para as pessoas portadoras de deficiência, principalmente. Para isso, urgem atos mais enérgicos da sociedade civil, em concomitância com o Poder Público, com o escopo de amortizar esse imbróglio da realidade do país.

Nessa perspectiva, é oportuno destacar que, segundo a Constituição Federal do Brasil - promulgada em 1988- o direito à mobilidade é considerado como inalienável a todos os cidadãos, entretanto essa premissa não é executada da maneira adequada, sendo milhares de indivíduos prejudicados diariamente nas grandes cidades em razão de quilômetros de congestionamento. Essa conjuntura permite estabelecer um paralelo com a obra do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstain, pois em seu livro ‘‘O cidadão de papel’’ disserta sobre diversas leis que existem apenas na teoria, não sendo cumpridas. Logo, é fundamental que alternativas sejam implementadas, visando permitir que o ir e vir ocorra efetivamente.

Ainda, sob esse mesmo viés, é válido analisar a insuficiente infraestrutura no que concerne à mobilidade de pessoas portadoras de deficiências, sejam calçadas desniveladas dificultando o deslocamento de cadeirantes, sejam as poucas sinalizações para indivíduos com problemas de visão, demostram o descaso para com essa parcela da população. Ademais, é possível associar esse contexto com a teoria de Durkheim, posto que caracteriza a escassa coesão entre os cidadãos como causa para a existência de anomias sociais, como a falta de empatia, sendo constatada ao perceber que grande parte dos brasileiros não têm preocupação com as demandas dos demais. Dessa forma, é essencial a adoção de medidas que objetivem reverter esse percalço.

Portanto, torna-se perceptível a necessidade de ações mais enfáticas em prol da mobilidade urbana no Brasil. Para tanto, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação em parceria com a Pasta responsável pela mobilidade, execute pesquisas periódicas entre os cidadãos, com o objetivo de destinar maiores recursos a demandas da população; bem como  promova palestras e mesas-redondas nas instituições educacionais, sendo ministradas por profissionais qualificados, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares, com o fito não só de alertar sobre os direitos e deveres , mas também estimular o sentimento de empatia nos indivíduos. Apenas assim, poder-se-à consolidar uma realidade em que o infortúnio referente à mobilidade seja sanado e, como efeito, seja possível demonstrar que as leis existem ‘‘fora do  papel’’.