A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/09/2022
O documentário “Perrengue” alerta para dificuldade de locomoção urbana em São Paulo. Todavia, essa crise de mobilidade é um problema nacional, resultante da cultura do uso do transporte individual na Brasil, em especial no que concerne à mobilidade histórica limitada e à supervalorização do automóvel. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.
À vista desse cenário, o modelo de descolamento brasileiro motiva a crise de mobilidade. Sob está ótica iminente, em 1956, Juscelino Kubitschek iniciou o Plano de Metas, no qual uma das funções era unificar o país por meio de estradas e incentivos a carros. Nessa lógica, o rodoviarismo de Kubistchek é ultrapassado e limitante, no qual é preciso investir em um veículo para poder fazer uso, o que além de ampliar a desigualdade, corrobora para o crescente fluxo de veículos. Dessarte, é medular ampliar as formas de locomoção disponíveis ao corpo social.
Outrossim, enquanto o automóvel for cultuado, o Brasil será obrigado a conviver com uma cruel violência: a crise de mobilidade. Consoante a isso, o escritor Guy Debord, em sua obra “Espetacularização da sociedade”, disserta como as relações sociais são mediadas por imagens. De maneira análoga, o carro é, como denunciado por Debord, símbolo de segurança e sucesso, o que impulsiona seu uso e colabora para a crescente dificuldade de locomoção brasileira. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de incentivar meios alternativos e coletivos de transporte.
Portanto, com o fito de desestimular esse individualismo no comportamento locomotivo, o Poder Público, responsável por garantir os meios para o bem-estar geral da nação, deve ampliar o investimento em transportes coletivos, por intermediário do financiamento de mais ônibus e vias alternativas, como metrôs. As frotas seriam aumentadas e os ônibus, adaptados para transportar todos os tipos de civis, de modo a estimular o uso de meios públicos de locomoção. Assim, cenários como o de “Perrengue” serão apenas história.