A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/11/2020
A partir da Terceira Revolução Industrial, iniciada no século XX, passou a haver, na sociedade, uma maior democratização no acesso às novas tecnologias, a exemplo dos automóveis. No entanto, apesar da maior praticidade na locomoção cotidiana, o aumento da aquisição desses veículos culminou, no século XXI, na crescente crise na mobilidade urbana brasileira nas principais metrópoles do país, como São Paulo e Campinas. Sob essa perspectiva, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) estima que a cidade de Campinas está a menos de 300 mil veículos para ter todos os seus acessos bloqueados. Por isso, é importante analisar que essa realidade ocorre em razão da falta de incentivo governamental somada à escassez de investimento financeiro por parte do Estado.
Em primeiro lugar, ressalta-se o papel do governo na mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, segundo a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, menos de dois por cento da população da cidade faz uso regular das ciclovias. Dessa maneira, a carência de estímulo governamental ao uso dessas vias é um entrave para a fluidez da circulação urbana na nação, uma vez que a maioria dos indivíduos não as utiliza. Como prova disso, de acordo com o sindicato FecomercioSP, o índice de cidadãos favoráveis à construção de novas ciclovias reduziu-se em quase 30% em apenas um ano. À vista disso, verifica-se a necessidade do incentivo governamental para reverter esse cenário.
Além disso, salienta-se a participação da aplicação de capital. Nesse contexto, consoante o IBOPE, a superlotação nos transportes públicos metropolitanos no Brasil chega a quase 60%. Dessa forma, a má qualidade dos serviços prestados por ônibus, trens e metrôs colabora para o colapso da circulação nas áreas urbanas do país, haja vista a falta de comodidade oferecida ao povo. A título de exemplo, mais de 80% dos cidadãos substituiriam seus veículos particulares por transportes coletivos, caso sua infraestrutura fosse de melhor qualidade, conforme o IBOPE. Isso posto, explicita-se a importância do aumento da aplicação financeira para ampliar a mobilidade nas cidades brasileiras.
Em suma, a ausência de encorajamento por parte do governo, assossiada à falta de investimento financeiro, é um empecilho para o avanço da circulação no meio urbano brasileiro. Logo, cabe ao Governo Federal, principal responsável pela locomoção urbana, por meio de veículos comunicativos de amplo alcance, como a televisão e as redes sociais, promover anúncios que estimulem a utilização das ciclovias pelo povo. Ademais, o Ministério da Infraestrutura, encarregado pelas políticas de trânsito, deve, mediante investimento monetário, fornecer à população um maior número de veículos coletivos, como ônibus, para circular nas cidades. Essas ações devem ser efetuadas a fim de reduzir o número de carros que se deslocam nas ruas e, assim, espera-se combater a crise da mobilidade urbana no Brasil.