A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 16/11/2020
Lançado no início da década de 2010, o documentário “Perrengue” mostra o dia a dia de cidadãos que enfrentam diariamente o trânsito caótico da cidade de São Paulo. Análogo a isso está o cotidiano de milhões de brasileiros que vivem em cidades metropolitanas, demarcado pela crescente crise na mobilidade urbana. Sob essa perspectiva, de acordo com o Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP, mais de 45 milhões de carros circulam nas ruas do país. Por isso, é importante analisar que essa realidade se faz presente na nação em virtude da falta de incentivo governamental, o que representa o descompromisso do Estado para com o povo.
A princípio, ressalta-se o papel do governo na circulação urbana. Nesse sentido, segundo a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), menos de 2% dos moradores da cidade utilizam bicicleta. Dessa maneira, a escassez de estímulo ao uso de meios de transportes alternativos, como a bicicleta, é um entrave para o desenvolvimento do fluxo urbano no Brasil, uma vez que a maior parcela da população não os utiliza. A título de exemplo, conforme o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), menos de 60% da população nacional é favorável à construção de ciclovias. Isso posto, verifica-se a importância de ações governamentais nesse âmbito.
Além disso, salienta-se a negligência estatal para com os cidadãos. Nesse contexto, a Constituição federal assegura que é dever do Estado garantir à população o acesso a seus direitos básicos, a exemplo da liberdade de ir e vir. No entanto, o governo brasileiro falha em sua incumbência de fornecer ao povo o alcance a seus direitos essenciais, haja vista que a atual crise de circulação nas cidades prejudica a locomoção dos habitantes. Como prova disso, consoante o IBOPE, a cidade de Campinas está a menos de 300 mil veículos de ter todas as suas passagens bloqueadas. À vista disso, explicita-se a necessidade de reverter esse cenário.
Em síntese, a carência de estímulo governamental é um empecilho para a locomoção do povo brasileiro, o que caracteriza a falta de diligência do Estado. Logo, cabe ao governo federal, como principal responsável pelo deslocamento urbano, por meio de veículos comunicativos de amplo alcance, como a televisão e as redes sociais, promover anúncios que incentivem a população a usar meios de transporte alternativos, a exemplo de bicicletas. Ademais, o Ministério da Infraestrutura, encarregado pelas políticas públicas de trânsito, deve, mediante investimento financeiro, construir mais ciclovias nas cidades brasileiras. Essas medidas devem ser efetuadas com o intuito de reduzir o número de carros que circulam pelas ruas e, dessa forma, espera-se combater a crise na mobilidade urbana brasileira.