A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/11/2020

O livro “Todos contra todos” expõe, criticamente, o danoso transtorno social causado pelos congestionamentos nas grandes cidades brasileiras. Essa crise de mobilidade foi edificada pela exacerbada construção de rodovias ao longo da história do Brasil, mediante planos presidenciais, e desenvolve lamentáveis relações no trânsito automotivo, pois o país não apresenta estruturas eficazes para o uso de veículos alternativos. Dessa forma, é necessária a atuação do Estado no desenvolvimento de melhorias na mobilidade urbana atual.

Em primeira instância, é perceptível que o planejamento urbano brasileiro ocorreu por meio da construção de rodovias, especialmente. Essa conjuntura é revelada pela atuação do antigo presidente, Juscelino Kubitschek, na proliferação de estradas em todo o território nacional, a fim de interligar a nova capital, Brasília, às outras regiões. Destarte, esse plano de governo, chamado de “50 anos em 5”, intensificou o uso de automóveis nas rodovias e minimizou o acesso a diferentes meios de transporte, como os metrôs e os trens. Sob tal ótica, a unilateralidade do modal rodoviário, realizada ao longo da história do Brasil, acarretou a sua superlotação e, consequentemente, a severa crise de mobilidade vista nos dias atuais.

Além disso, a escassez de estruturas eficazes para veículos alternativos nas grandes cidades, como ciclovias, proporciona uma realidade caótica no trânsito e a falta de respeito entre os motoristas. Nesse viés, o livro “Todos contra todos”, do historiador brasileiro Leandro Karnal, relata a nefasta violência verbal nos congestionamentos metropolitanos e o desrespeito entre os donos dos veículos, gerados pela impossibilidade de avançar na aglomerada fila de carros. Esse contexto de intolerância reverbera a contundente necessidade de reformas nos modais urbanos, de modo a melhorar a estrutura cicloviária e a construir novas linhas de metrô. Com isso, a dependência automotiva exige diferentes maneiras de locomoção, pois, só assim, a mobilidade será auxiliada e os motoristas se respeitarão mutuamente.

Enfim, o trânsito caótico do Brasil é reflexo de históricas construções rodoviárias e da escassez de outros meios de transporte. Depreende-se, então, a necessidade da união entre o Ministério da Infraestrutura e as universidades para a promoção de projetos urbanos inovadores que promovam novas linhas de metrô e ciclovias nas grandes cidades. Isso dar-se-á pelo intermédio de estudantes de Engenharia Civil, os quais, junto aos membros do órgão federal, deverão inovar os modais brasileiros, a fim de minimizar os congestionamentos e de diversificar as formas de locomoção. Com a concretização desses projetos, o extremo desrespeito no trânsito, citado em “Todos contra todos”, será diminuído e a crise na mobilidade, interrompida.