A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/12/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema judiciário brasileiro - a República tem como um de seus objetivos fundamentais promover o bem de todos, no qual inclui-se o direito de ir e vir. Entretanto, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira mostra que os indivíduos ainda não experimentam esse direito na prática. Isso ocorre, ora pelo grande número de automóveis nas rodovias, ora pelo individualismo da sociedade. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro plano, é imperativo destacar que um dos fatores que impossibilitam a mobilidade urbana é o número excessivo de automóveis nas rodovias. Nesse âmbito, o governo de Juscelino Kubitschek, foi o período marcado pelo grande investimento no setor automobilístico. Logo, percebe-se que a preferência por automóveis é uma herança histórica da política rodoviária do país. No entanto, tais ações não foram totalmente benéficas para a população, uma vez que devido ao enorme números automóveis nas estradas, acontece o congestionamento dos carros e maiores riscos de acidentes, de modo que aumentam ainda mais a poluição do meio ambiente. Dessa maneira, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.
Ademais, é necessário avaliar como o individualismo da sociedade têm impactado de maneira negativa a mobilidade urbana. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade. Esse panorama de evidencia, por exemplo, quando se observa que os indivíduos relacionam a obtenção do automóvel ao prestígio social, assim como tendem a ter preferência pelo uso do carro até para percorrerem curtas distâncias. Nesse sentido, um caminho para controlar e amenizar a mobilidade urbana é que os indivíduos possam adotar novos hábitos, e assim desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.
Entende-se, portanto, a necessidade de impor medidas para combater a crise na mobilidade urbana brasileira. Desse modo, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas específicas, deve investir em transportes de massa com preços acessíveis e de qualidade, para que a população possa optar por usarem os meios de transporte público, e assim possa haver menos lentidão no transito. Além disso, também deve investir parte dessa verba na construção de ciclovias para incentivar o uso de meios alternativos de transporte, e assim os indivíduos possam se mover quando tiverem necessidade sem que possam ficar presos no trânsito. Feito isso, será possível garantir os direitos aos cidadãos imposto pela Constituição.