A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/12/2020
Na conjuntura da nação brasileira, o ex-presidente Juscelino Kubitschek desenvolveu um Plano de Metas, que ficou conhecido como cinquenta anos em cinco. Ele investiu fortemente na construção de rodovias e incentivou a população a comprar carros. No entanto, essa política pública tornou-se excludente, visto que grande parte dos brasileiros não conseguem adquirir um automóvel e buscam alternativas como o transporte público que carece de investimentos. Além disso, vale ressaltar a problemática do tráfego caótico. Nessa perspectiva, medidas devem ser fomentadas para combater a crescente crise na mobilidade urbana.
É indubitável salientar a necessidade de implementar um processo de urbanização de qualidade nos municípios brasileiros. Mediante o exposto, dados compilados em 2015 pela Confederação Nacional da Indústria, afirmam que um em cada quatro brasileiros utiliza o ônibus como principal meio de transporte e apenas 7% se deslocam no dia a dia de bicicleta. Diante de tal realidade, nota-se que apesar do avanço na busca por novas alternativas de locomoção, ainda são comuns nas grandes cidades os engarrafamentos e desordens no trânsito. Assim, compreende -se que esse problema viola o direito de ir e vir assegurado pela Constituição Federal de 1988.
Ademais, é importante destacar que a atual sociedade é movida pelo consumismo. Baseado nisso, o sociólogo alemão Karl Marx criou o conceito “Fetichismo da Mercadoria”, no qual propõe que as mercadorias deixam de ser produtos e passam a ser objetos de adoração, assim, percebe-se que a compra e troca constante de carros está atrelada ao status e posses do indivíduo, e não às suas necessidades de se locomover. Logo, esse consumo compulsório resulta nos desafios da mobilidade urbana.
Como se vê, mecanismos precisam ser criados para resolver esse impasse. Para tanto, o Ministério do Desenvolvimento Regional, em parceria com as prefeituras municipais, devem incentivar as pessoas a utilizarem outros meios de transporte, por meio da ampliação de ciclovias e a disponibilização de coletivos de qualidade, a fim de reduzir o número de veículos nas ruas e avenidas. Soma-se a isso, o papel do Ministério da Educação em promover campanhas, utilizando cartazes e a mídia, com o objetivo de educar a população para combater o consumo de carros de forma exagerada. Somente assim reduziremos essa adversidade.