A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 05/12/2020

Sucateamento do transporte público.Cultura de valorização do carro particular.Excesso de foco na indústria automobilística.Diversos são os fatores históricos e atuais que conduziram a crise da mobilidade urbana nas médias e grandes cidades brasileiras.Observa-se que esse contexto não prejudica apenas as relações socioeconômicas, mas também a saúde física e mental dos citadinos.

Historicamente,no Brasil,desde o governo de Juscelino Kubitschek,nota-se um apoio governamental excessivo ao rodoviarismo e a indústria automobilística.O então presidente brasileiro facilitou a instalação de fabricas automotivas no país,além de ter apostado no modal rodoviário para o transporte de carga,em detrimento, por exemplo,para o transporte ferroviário ou hidroviário.Esse processo,a época foi intensificado pela propaganda “American way of life”,ou seja,estilo de vida norte americano, difundido então pelo cinema americano a exemplo do que foi abordado pela Escola de Frankfurt no conceito de Indústria Cultura - ideia de produção em massa, com objetivo de lucro e a manutenção do pensamento dominante.

Todo esse panorama histórico adicionado a falta de estrutura viária nas grandes cidades brasileiras,fruto de uma urbanização mal planejada fez com que hoje exista no país uma cultura “carrocentrica”,em que as cidades são planejadas para favorecer o transporte automobilístico particular e os indivíduos são convencidos que essa é a melhor forma de se locomover nos espaços urbanos.Esse cenário,de valorização do modal de transporte particular,faz com que haja frequentemente episódios de congestionamento nas grandes cidades brasileiras,a exemplo do que é retratado no documentário “130 km” em que se registra um marco histórico:um congestionamento total de 130 km na cidade de São Paulo.Os indivíduos que são expostos a esses problemas de trafego tem não apenas a sua saúde física prejudicada,haja vista o aumento da poluição sonora e atmosférica,mas também a sua saúde mental comprometida.Constantemente expostos ao estresse e ansiedade que caracteriza o estilo de vida nas grandes cidades e intensificados pelo transito,esses indivíduos tendem a desenvolver transtornos psicossociais e apresentarem, por exemplo, maior irritabilidade.

São necessárias, portanto, medidas para desconstruir a cultura “carrocentrica” e valorizar a utilização do transporte público. É necessário que o Ministério das Cidades faça investimentos para variedade dos modais de transportes nas cidades brasileiras em parcerias com a secretarias estaduais e municipais de transporte de infraestrutura. Especificamente,é fundamental que seja ampliado a estrutura para bicicletas e pedestres, por exemplo pela expansão de ciclovias e calçadas e além disso, é vital que se revitalize a frota urbana a fim de obter mais horários e manutenção adequada.