A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 09/12/2020
No documentário “Perrengue”, retrata-se a triste dificuldade dos habitantes da cidade de São Paulo para se locomoverem entre os pontos da cidade nas mais diversas situações e horários dos dias. Nesse contexto, o curta-metragem alegoriza evidentemente que essa nevrálgica conjuntura, cujas causas orbitam em torno de questões culturais somadas à falta de planejamento urbano, é consequência direta de um acumulativo processo de sobrecarga da infraestrutura nacional. Logo, faz-se mister destrinchar o que gerou a crescente crise na mobilidade nas cidades do Brasil.
Em primeira análise, salienta-se que a influência sociocultural acerca de padrões de vida demonstra-se como forte geratriz desse problema. Desenvolvendo essa proposição, a doutrina consumista denominada “American of Life” fomentava veementemente a posse de veículos automotores privados a toda sociedade. Seguindo esse raciocínio, haja vista que esse ideal utópico alcançou o planeta inteiro, torna-se irrevogável que ela estimula a supervalorização do transporte privado em detrimento do público, assim, desencadeando um progressivo processo de esgotamento das rodovias o qual acarretou no atual panorama.
Ademais, ressalta-se que a depreciação da projetificação das cidades apresenta-se, também, como agravador de tal problemática. Progredindo essa afirmação, o advento do Plano Agache de 1930 explicita isso precisamente, o fato da tardia criação denota que, até então, nunca houvera uma planificação eficaz no âmbito das necessidades urbanas. Concluindo esse pensamento, tal atraso perante essa prática concatenou o sucateamento gradual da mobilidade, a qual ficou obsoleta, à medida que a população crescia exponencialmente, dessa maneira, resultando na contemporânea perspectiva patológica.
Infere-se, portanto, que as adversidades deflagradas no filme supracitado refratam uma série de fatores cujo somatório ocasionou em percalços no direito de ir e vir das cidades brasileiras. Diante disso, urge a necessidade das Secretarias Municipais de Urbanismo, no intuito de romper com o foco exacerbado dos automóveis individuais, viabilizem alternativas mais equilibradas às zonas urbanizadas. Isso por meio de reformas nestas e auxílios socioeconômicos à população para a utilização de transportes públicos e não-convencionais, de modo que, no prisma das pessoas, seja mais vantajoso utilizá-los.