A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/12/2020

Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno” por fazer críticas ácidas aos problemas que o assolavam no século XVII. Talvez, hoje, ao se deparar com a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, o autor expressaria sua polêmica opinião. Dessa forma, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da ineficácia legislativa e da falta de debate.

Convém ressaltar, a princípio, que a ineficácia legislativa protagoniza como um impasse. De acordo com o filósofo John Locke: “As leis fizeram-se para os homens, não para os leis”. Nesse contexto, ao ser criada uma norma, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida dos cidadãos em sua aplicação. No entanto, as leis que tratam sobre a mobilidade urbana não se mostram eficazes, uma vez que esse problema apenas cresce exponencialmente, o que ocasiona um prejuízo na qualidade de vida de pedestres e motoristas. Dessa maneira, o bem-estar do cidadão, que deveria ser garantido pelas normas jurídicas, se torna cada vez uma realidade distante.

Ademais, o problema encontra terra fértil na falta de debate. Para o sociólogo Habermmas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação social. Porém, os órgãos públicos e as escolas falham em transmitir informações sobre a crescente crise na mobilidade urbana e propor debates ao corpo social brasileiro sobre maneiras de resolvê-la. Desse modo, sem uma discussão séria e ampla sobre o assunto, sua resolução se torna utópica.

Portanto, medidas são necessárias com o objetivo de erradicar o impasse. Como solução, as escolas, em parceria com as escolas promoverão rodas de conversa sobre o assunto. Tais eventos ocorrerão no período extraclasse e contarão com profissionais especializados em mobilidade urbana e suas crises. Além disso, esses debates também serão abertos à comunidade, para que todos participem desse momento de cidadania e atuem ativamente nas propostas de melhoria. Assim sendo, a população canarinha caminhará na construção de país que não sofreria críticas de Gregório de Matos.