A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/12/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à mobilidade urbana no Brasil, é possível perceber um cenário entrópico, em virtude da crise atual presente na questão. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas uma lenta mudança sociocultural, além falta de investimentos em novos modais de transporte.
Em primeira análise, o vagaroso processo de mudança dos costumes da sociedade apresenta-se como um fator limitador à resolução do problema. O sociólogo Émile Durkeim afirmava que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Hodiernamente, em todo o território nacional, há uma carga horária fixa de trabalho para as mais diversas profissões. Com isso, nos horários de ida e vinda do trabalho que por vezes coincide com as horas de entrada e saída das crianças nas escolas, vê-se congestionamentos frequentes. Se ocorresse uma flexibilização do momento em que o funcionário pode entrar e sair do seu ambiente de trabalho, poderia haver uma diminuição da quantidade de carros nas ruas, levando a uma melhora na questão da mobilidade urbana nos municípios brasileiros.
Em segunda análise, a falta de investimento em novas modalidades de transporte se mostra como uma questão a ser discutida, visando o fim da crise. O Plano de Metas do ex-presidente Juscelino Kubitschek consolidou o sistema rodoviário como o predominante no Brasil. No entanto, com o crescimento da população, acarretando no crescimento do número de veículos em detrimento da quantidade que as cidades suportam, novos modais como o ferroviário, poderiam fazer parte da realidade da sociedade brasileira. Enquanto em países desenvolvidos, como a Alemanha, o Candá e o Japão, a população faz uso de trens e metrôs para deslocamentos diários, no Brasil a concentração continua nas estradas e rodovias que não conseguem acompanhar o crescimento do número de veículos.
Convém, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. A Secretaria de Trabalho, órgão vinculado ao Ministério da Economia, em parceria com os sindicatos representativos dos funcionários das mais diversas funções devem, em comum acordo com os empresários, tentar uma flexibilização das cargas horárias, a fim de que, nos horários de pico, o trânsito das principais cidades brasileiras tivesse menos carros nas ruas. Ademais, cabe ao Ministério da Infraestrutura, em conjunto com os Governos Estaduais e Municipais, estudar a viabilização de instalação de linhas férreas, que são mais econômicas que a construção de rodovias, nos grandes municípios, através de parcerias público-privadas, para que a população tenha alternativas além das caóticas estradas brasileiras.