A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 23/12/2020
O período da história brasileira conhecido como anos dourados faz referência a década de 50, momento em que o Brasil vivia sob o governo de Juscelino Kubitscheck, que por sua vez, tomou medidas que impulsionaram o uso dos automóveis no país. Atualmente, ainda percebe-se consequências do período mencionado, visto que o modal rodoviário prevalece em detrimento dos demais. Com isso, nota-se uma crise de mobilidade urbana nas grandes e médias cidades brasileiras e os principais fatores que a provocam são a precariedade do transporte público e a glamourização do automóvel.
Primeiramente, é de suma importância destacar que o direito ao transporte é garantido pelo artigo 6° da Constituição da República Federativa do Brasil. Somado a isso, o uso de transportes públicos coletivos diminui a emissão de gases poluentes contribuintes do aquecimento global. Nesse sentido, seria racional acreditar na existência de políticas publicas que cumpram a garantia desse direito de forma eficiente como ônibus de qualidade, limpos e acessíveis a todas as regiões. Contudo, a realidade é o oposto e muitos cidadãos são obrigados a se locomoverem em condições precárias, fato que impulsiona a venda de carros e o trânsito nas cidades.
Outrossim, é válido mencionar a influência da propaganda no excesso de carros. O “American Way Of Life”, estilo de vida americano, foi o propagandeamento da ascensão da classe média por meio do cinema e que possuía como símbolos a casa própria e o carro. A partir dessa época surge uma cultura de valorização do automóvel que chega até glamourizá-lo, aumentando progressivamente sua compra. Dessa forma, surgem consequências como aumento da poluição, atrasos, segregação socioespacial, entre muitas outras, evidenciando assim a dimensão dessa problemática.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas que alterem o quadro apresentado. O ministério das cidades, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de transporte devem fazer investimentos para variar os modais de transporte nas cidades brasileiras com o intuito de ampliar a infraestrutura de ciclovias e calçadas. Somado à isso, deve ser realizada uma revitalização da frota urbana, ou seja, de ônibus e metrôs, pelo governo em conjunto com empresas privadas. Com isso, gradativamente o carro perderá espaço no meio urbano, amenizando assim a crise de mobilidade urbana atual.