A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 29/12/2020

No início do século XX, o empresário Henry Ford adotou um processo de produção automobilística que possibilitou a produção em larga escala de veículos e a sua universalização em um período de ascensão da Globalização. Nesse contexto, a população brasileira dos grandes centros urbanos adotou automóveis resultantes do Fordismo como seu principal meio de transporte pelo território nacional. Dessa forma, a massificação da circulação de carros nas rodovias moldou alicerces para o desenvilvimento de uma crise na mobilidade urbana, por consequência de processos históricos e políticas de interesse capitalista. Por isso, deve-se debater e mitigar a progressão dessa problemática.

Em primeiro lugar, é importante enfatizar que o processo de construção da base industrial brasileira em 1956 deu início à crise na mobilidade urbana. Isso porque, o Plano de Metas, proposto por Juscelino Kubitschek, previa o preparo do território nacional para receber as grande indústrias automobilísticas do período. Dessa maneira, os intensos inventismentos na construção de rodovias e a negligência de desenvolver-se outro meio de transporte moldaram uma rede urbana dependente do transporte rodoviário e com escassos meios alternativos de mobilidade. Consequentemente, as compras em massa de automóveis fordistas nos grandes centros urbanos deram início à crescente crise do transporte rodoviário nas cidades brasileiras.

Em segundo lugar, diante do exposto, deve-se ressaltar que a segregação socioespacial nos centros das cidades resultou em uma dificuldade de mobilidade urbana. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua teoria da Modernidade Líquida, fundamenta que as relações econômicas estão sobrepostas às relações humanas. Nesse sentido, na decada de 80 e 90, a população de classe média e baixa que resisidia nos centros urbanos foi segregada para as periferias da cidade devido ao aumento da especulação imobiliária da região central. Por conseguinte, devido à distância entre o novo local de moradia e o de trabalho, a sociedade torna-se mais dependente do transporte rodoviário, o que acaba por congestionar e dificultar a mobilidade em horários de pico nas grandes cidades.

Portanto, tendo em vista que o modelo de industrialização e os processos econômicos brasileiros resultaram na crise da mobilidade urbana, cabe ao Estado mitigar a problemática. Primeiramente, o Ministério da Infraestrutura deverá mapear e construir nas áreas de maior congestionamento estações de metrô, com a finalidade de reduzir a sobrecarga das rodovias e aumentar a fluidez do trânsito. Ademais, para mitigar o entrave da população residente nas periferias, o Ministério do Transporte deverá realizar a construção de um sistema ferroviário de transporte coletivo nessas regiões, com o intuito de racionalizar o uso de estradas e rodovias. Por fim, a problemática será resolvida.