A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 04/01/2021
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e determinou que o direito ao transporte deveria ser garantido a todos. Entretanto, a crescente crise da mobilidade mostra que a promessa de Guimarães ainda está distante de ser realidade nos centros urbanos. Isso ocorre, sobretudo, pelo modelo baseado em rodovias, bem como pelo culto ao carro.
Convém ressaltar, a princípio, uma das principais causas para essa problemática: o rodoviarismo. Nesse sentido, em 1956, o então presidente Juscelino Kubitschek preferiu investir no modelo baseado em rodovias e motivou a população a adquirir carros, sem os quais seria impossível o deslocamento nas cidades. Ocorre que o modelo econômico excludente proposto por JK promoveu - e ainda promove - a desigualdade social, na medida em que se mostra insuficiente e restrito à minoria detentora do poder econômico. Dessa forma, enquanto o rodoviarismo for a única opção, a sociedade sofrerá com a precária mobilidade urbana.
Outrossim, o culto ao carro agrava esse cenário. A esse respeito, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual a mídia veicula conteúdos de forma constante e persuasiva, a fim de orientar o comportamento da sociedade. Nesse viés, a preferência da população por carros é motivada pelo constante discurso midiático dununciado por Adorno e reafirma a ideologia imprópria e egoísta, que eleva os veículos automotores a objetos de prestígio. Logo, é incoerente que seja estimulado a compra e o uso de carros em centros urbanos com o trânsito cada dia mais caótico.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para mitigar a crise da mobilidade urbana na pátria-canarinho. Para que isso ocorra, o Poder Público deve criar condições favoráveis para a utilização de outros meios de transporte, como a construção de mais ciclovias e a melhoria da estrutura do transporte público. Isso deverá ser feito através de emendas parlamentares que direcionem recursos para esse fim, com o fito de estimular a população a variar seus meios de locomoção. Ademais, os indivíduos, por intermédio do seu senso crítico, devem optar, quando possível, por outros meios de transporte em detrimento ao carro - como bicicletas e ônibus -, com o fito que haja a diminuição de carros em trânsito, e, dessa forma, haja melhoria na mobilidade urbana e na qualidade de vida corpo social. Somente assim, o que foi estabelecido na Carta Magna será uma realidade.